quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Os outros e eu!




González Rey (2015) nos ensina que a subjetividade social é uma produção imaginária que caracteriza a forma como as experiências sociais recebem sentidos subjetivos dentro de redes também subjetivas invisíveis que surgem no movimento entrelaçado de sentimentos. São processos simbólicos que formam diferentes configurações sociais em diferentes instâncias e cenários.

Na constante multiplicação de incertezas sociais pelas quais trafegamos nos dias atuais e vindouros, a subjetividade dos indivíduos em contexto social deve ser pensada dentro do simbolismo que marca suas decisões e que podem se deparar em contramão às nossas opções e as dos nossos semelhantes dentro dos espectros comunitários complexos.

Somos as cicatrizes de nossas interpretações e elas se somam em nossas discrepâncias intersubjetivas em relação às formas com as quais entendemos o mundo e na forma com que as desigualdades de pensamentos nos confrontam. O confronto entre olhares difusos não é uma tarefa simples de compreensão para quem se acha impelido a aceitar a força do contrário social. Mas, também pode ser de significativo ensinamento no exercício da oposição de ideias dentre os contextos de indivíduos e dos grupos de pertencimento. Pois, colocar-se no lugar do outro requer abstração das próprias convicções e elaborar um movimento de entrar no cenário do qual não nos oferece a melhor configuração das cores expostas aos nossos olhos.

Maturana e Varela (2001) inferem que a reflexão é um processo de conhecer como conhecemos, portanto, um ato de voltar a nós mesmos, a única oportunidade que temos de descobrir nossas cegueiras e reconhecer que as certezas e os conhecimentos dos outros são, respectivamente, tão aflitivos e tão tênues quanto os nossos. E, nesse aspecto, podemos dialogar nossas posições e identidades com as dos outros, ao negociarmos olhares divergentes dentro do cenário de diferentes posições de saberes sobre um mesmo fenômeno e as relações de poderes que tal objeto de conhecimento suscita-nos.

Esse processo reflexivo nos leva ao entendimento de que as subjetividades humanas, seus contextos sociais e posições dentro do quadro cultural, estão imbricadas por representações que transformam em ordinárias as comunicações de conceitos e consensos sociais e que transitam em nossas mentes grupais por meio das quais angariamos nosso modo de comportamento e de ações sobre um dado objeto. Assim, o interno e o externo se misturam e formam o nosso caldeirão de signos que nos ditam o lugar de onde falamos em cada momento histórico.

Alteridade e ego se desafiam no contraste social e na identidade do indivíduo, e, deste, em sociedade sobre o outro implicado.

A existência do eu e do outro são os corpos simbólicos das ativações de saberes e de poderes que se cruzam em campos representacionais que alimentam as posições intragrupos e entregrupos sociais. "O homem existe – existere – no tempo. Está dentro. Está fora. Herda. Incorpora. Modifica. Porque não está preso a um tempo permanente que o esmaga, emerge dele. Banha-se nele. Temporaliza-se” (FREIRE, 2011). O subjetivo e o objetivo se materializam dentro das rotinas temporais na simultaneidade dos consensos e dissensos dos indivíduos membros de um grupo social.

Nos tempos atuais é preciso que tenhamos a proatividade investigadora na busca por, cada vez mais, entendermos o lugar dos outros, dos grupos e dos indivíduos dentro do vasto arquipélago social que se transformou nossa malha comunitária brasileira. Desvendando suas perspectivas de mundo e de sociedade, seus olhares e saberes que se imbricam e se distanciam em meio ao turbilhão de informações a que temos acesso diariamente. Esse movimento investigativo é necessário e preponderante para discutirmos e problematizarmos alternâncias e limites para o discurso e o discurso de poder/saber de indivíduos e grupos nos espaçostempos nos quais estamos submersos. 

Dijk (2015), nos diz que "é evidente que o pertencimento a um grupo ou instituição por parte dos falantes e a desigualdade social tomada em termos genéricos introduzem diferenças a respeito do controle do diálogo em andamento. Essas diferenças aparecem, por exemplo, na conversa entre homens e mulheres, adultos e crianças, brancos e negros, ricos e pobres, ou entre os que frequentaram a escola durante mais ou menos tempo. Parte-se do pressuposto de que um controle desse tipo, exercido pelo falante com mais poder, pode entender-se à alocação ou apropriação do turno, à escolha do ato de fala, à seleção e mudança de tópico e ao estilo".

Esses movimentos, subjetivos e sociais - de indivíduos e seus grupos -, em meio ao campo representacional acerca de um objeto ou fenômeno pelos quais se revelam conceitos e comportamentos, podem nos valer a compreensão de como as dinâmicas e escolhas em sociedade são afirmadas ou negadas no espectro de nossa conjuntura brasileira atual. Entre o alter e o ego, o limite de nossas escolhas estão afeitas a afetos, consensos e dissensos sociais - por meio do ordinário conhecimento do cotidiano -, e subjetivos - a partir do desacordo que distingue o pensar dentro de um grupo humano, mas que se revela sensivelmente importante nos embates de poderes/saberes no contexto da sociedade contemporânea. Afinal, os outros e eu, estamos todos entrelaçados pelos ditames de nossas posições, de nossos poderes/saberes, de nossas decisões e comportamentos, de nossas representações. 

Referências:
DIJK, Teun A. van. Discurso e poder. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2015.



FREIRE, Paulo. Educação como prática de liberdade. 14. Ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2011
GONZÁLEZ REY, F. L. A new path for the discussion of Social Representations: advancing the topic of subjectivity from a cultural historical standpoint. Theory & Psychology - 2015. 
MATURANA, Humberto R.; VARELA, Francisco J. A árvore do conhecimento: as bases biológicas da compreensão humana. São Paulo: Palas Athena, 2001.

 







 

  

 

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

PLANO DE GOVERNO BOLSONARO - PARTES CONTROVERSAS, FRÁGEIS E INSANAS.

OLHANDO O PLANO DE GOVERNO DO BOLSONARO, FAÇO MINHAS HUMILDES OBSERVAÇÕES NOS PONTOS QUE CONSIDERO MAIS FRÁGEIS E CONTROVERSOS (E INSANOS TAMBÉM).

EDUCAÇÃO
Incluir no currículo escolar as disciplinas educação moral e cívica (EMC) e organização social e política brasileira (OSPB), que eram ensinadas durante a ditadura militar.

OBS: É A VOLTA DO ANTIGO REGIME COM ESTAS DISCIPLINAS. ISSO SIM ERA DOUTRINAÇÃO IDEOLÓGICA. A MORAL DELES, O CIVISMO DELES. A ORGANIZAÇÃO SOCIAL E POLÍTICA DELES. A PLURALIDADE E AS MÚLTIPLAS FORMAS DE SE DEBATER PROBLEMAS COMPLEXOS INEXISTEM AQUI.

Defende a adoção da educação à distância no Ensino Fundamental, Médio e Universitário, com aulas presenciais em provas ou aulas práticas, o que "ajuda a combater o marxismo”.

OBS: ISSO AQUI É RIDÍCULO SOBRE EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA PARA ENSINO FUNDAMENTAL, ESPECIALMENTE. ALÉM DE SER QUASE IMPRATICÁVEL PELO DOMÍNIO PÚBLICO GESTOR. DEVE ESTAR QUERENDO A INSERÇÃO DE EMPRESAS PRIVADAS NESSE DOMÍNIO. ALÉM DE SER ALGO QUE JOGARIA PARA O RALO QUAISQUER POSSIBILIDADES DE QUALIFICAÇÃO DA EDUCAÇÃO BÁSICA. E OLHA QUE ELA JÁ NÃO É ESSE PRIMOR TODO.

SAÚDE
Para combater a mortalidade infantil, defende a adoção de medidas preventivas de saúde para reduzir o número de prematuros — entre elas, estabelecer a visita ao dentista pelas gestantes nos programas neonatais.

OBS: ESSA PROPOSTA PARECE SER DE UMA SUPERFICIALIDADE GRITANTE. NADA ESTÁ DITO EM ARTICULAR OUTRAS POLÍTICAS PÚBLICAS QUE POSSAM CONCORRER PARA A MELHORIA NESTE QUESITO. MELHORAR E AMPLIAR A VACINAÇÃO INFANTIL PARECE QUE NÃO CONTEMPLA.

SEGURANÇA
Reformular o Estatuto do Desarmamento. Defende o direito a posse e porte de arma de fogo por todos.

OBS: BALA PRA TUDO QUE É LADO. O LEMA DELE DEVERIA SER: “CADA UM POR SI E DEUS POR TODOS, SALVE-SE QUEM PUDER E TIVER GRANA PRA COMPRAR CARAS ARMAS”. ISSO É MUITO INSANO.

Garantir o excludente de ilicitude para o policial em operação — ou seja, que os policiais não sejam punidos se matarem alguém em confronto.

OBS: CARTA BRANCA PARA MATAR AINDA MAIS DO QUE O QUE MATA, ESPECIALMENTE, NAS PERIFERIAS DAS GRANDES CIDADES. ISSO É PERIGOSO DEMAIS. AO INVÉS DE PROPOR A REFORMULAÇÃO E EQUIPAGEM DAS POLÍCIAS, QUER LAVAR AS MÃOS.

Reduzir a maioridade penal para 16 anos por emenda constitucional.
OBS: HAJA PENITENCIÁRIA. ALÉM DO MAIS, EM POUCO TEMPO O CRIME USARÁ MENOS QUE 16 ANOS PARA A PRÁTICA CRIMINOSA. NESSA LÓGICA, VAI CHEGAR A UM ANO DE IDADE A MAIORIDADE PENAL. AO INVÉS DE MAIS EDUCAÇÃO, LAZER E ACESSO À CULTURA PARA TIRAR OS JOVENS DA VULNERABILIDADE SOCIAL À QUAL ESTÁ IMERSO, ESPECIALMENTE OS QUE SÃO ECONOMICAMENTE MAIS FRÁGEIS.

Castração química voluntária em troca da redução da pena.
OBS: INSANO. QUEM VOLUNTARIAMENTE IRÁ QUERER SER CASTRADO? E SE ALGUÉM INOCENTE, POR ACASO, FOR CONFUNDIDO COM ESTUPRADOR? É RASO E SEM SENTIDO.

Tipificar como terrorismo as invasões de propriedades rurais e urbanas no território brasileiro.
OBS: ISSO PARECE SER UMA MEDIDA SOMENTE PARA CALAR A VOZ DOS MOVIMENTOS SOCIAIS. BEM AUTORITÁRIO MESMO.

POLÍTICAS SOCIAIS
Crítico ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que "tem que ser rasgado e jogado na latrina. É um estímulo à vagabundagem e à malandragem infantil".

OBS: É INSANO MESMO. E MOSTRA O DESPREZO QUE TEM PELA JUVENTUDE. NADA DE POLÍTICAS PÚBLICAS PARA EVITAR QUE O JOVEM ADENTRE O MUNDO DO CRIME.

ECONOMIA/EMPREGO
Criar uma nova carteira de trabalho verde e amarela, em que o contrato individual prevaleça sobre a CLT. Os novos trabalhadores poderão optar, de forma voluntária, por um vínculo empregatício baseado na nova carteira de trabalho ou na tradicional (azul). Além disso, defende uma outra versão da CLT para o trabalhador rural. "O homem do campo não pode parar no Carnaval, sábado, domingo e feriado. A planta ali vai estragar".

OBS: O TRABALHADOR NÃO VAI TER COMO FAZER ESSA OPÇÃO. A MAIORIA DO PATRONATO VAI QUERER CONTRATAR À MARGEM DA CLT. É O TAL, MENOS DIREITOS MESMO QUE ELE PREGA. QUANTO AO TRABALHADOR RURAL É UMA PROPOSTA QUE BEIRA A SEMI ESCRAVIDÃO QUE O BOLSONARO QUER PARA ESTE TIPO DE TRABALHADOR.

Estabelecer uma alíquota única de 20% no Imposto de Renda — hoje, a alíquota aumenta de acordo com a renda. Isentar de imposto de renda quem ganha até 5 salários mínimos. É contra taxação de grandes fortunas e heranças e contra novas tributações a empresários.

OBS: PROTEÇÃO AOS RICOS E MILIONÁRIOS. MAIS CARGA DE IMPOSTOS SOBRE A CLASSE MÉDIA. PARECE-ME QUE É SÓ ISSO.

Criar o Ministério da Economia, que abarcará funções hoje desempenhadas pelos Ministérios da Fazenda, Planejamento e Indústria e Comércio, bem como a Secretaria Executiva do PPI (Programa de Parcerias de Investimentos).

OBS: ACHO QUE COLLOR FEZ ISSO. NÃO DEU MUITO CERTO. SUPERPODER A UMA PESSOA PODE SER UMA DESGRAÇA. E SE O SUPERPODEROSO FOR INCOMPETENTE?

Defende privatizações. No caso da Petrobras, já admitiu a privatização "se não tiver uma solução" a respeito da política de preço dos combustíveis.

OBS: DEVE SER ISSO QUE ELE CHAMA DE PATRIOTISMO, VENDER TUDO.

Reduzir em 20% o volume da dívida pública por meio de privatizações, concessões, venda de propriedades imobiliárias da União.

OBS: É A QUEIMA TOTAL. BLACK FRIDAY EM ESCALA NACIONAL. E DEPOIS?

POLÍTICA
Extinguir o Ministério das Cidades e "mandar o dinheiro diretamente para o município".

OBS: HAJA MINISTÉRIO PÚBLICO PARA INVESTIGAR A APLICAÇÃO DOS RECURSOS POR PARTE DOS PREFEITOS EM MAIS DE 5700 CIDADES. PORQUE VAI TER DESVIO PRA TUDO QUE É LADO. ALGUÉM DUVIDA?

POLÍTICA EXTERNA
Sepultar o Foro de São Paulo.

OBS: ELE VAI IMPLANTAR A CENSURA? OUTRA DITADURA? PORQUE ELE NÃO TERÁ O PODER PARA EVITAR QUE EVENTOS ORGANIZADOS OCORRAM.

Retirar o Brasil do Comitê de Direitos Humanos da ONU.

OBS: MUITO DEMOCRATA! VALORIZA DEMAIS OS SERES HUMANOS E SEUS TRATADOS CIVILIZATÓRIOS.

Revogar a lei de imigração e fazer campo de refugiados, para lidar com a migração de venezuelanos para o Brasil.

OBS: PARECE MESMO QUE ELE GOSTA DESSA IDEIA DE CAMPO DE VIGIADOS. VAI QUERER CAMPO DE CONCENTRAÇÃO TAMBÉM?

Pretende mudar a embaixada brasileira em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém, assim como fez o presidente dos Estados Unidos Donald Trump. Pretende fechar a Embaixada da Autoridade Palestina no Brasil.

OBS: É A HISTÓRIA DO ROLO COMPRESSOR DA MAIORIA SOBRE A MINORIA MAIS FRACA. UM ESTADISTA PELA PAZ. BONECO MAL FEITO DE TRUMPINHO? POR ISSO, PRESTA REVERÊNCIA À BANDEIRA AMERICANA (TEM VERMELHO NELA)?

Defende que o Brasil deixe o Acordo de Paris sobre o clima — assim como fizeram os Estados Unidos de Donald Trump.

OBS: AQUI É O CÚMULO DA INSENSATEZ. DEVE SER O LEGADO QUE QUER DEIXAR: DEVASTAÇÃO E RUÍNAS AMBIENTAIS.

Fundir os Ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente, o que colocaria "um fim na indústria das multas, bem como leva harmonia ao campo". O ministro seria indicado "pelas entidades dos produtores".

OBS: APROFUNDA A INSENSATEZ. VAI FAZER O PROGRAMA ‘BRASIL MEIO AMBIENTE ZERO’?

PS: AINDA VOU FAZER OBSERVAÇÕES SOBRE O DE HADDAD.
PS2: IMAGEM: FONTE: ARMAZÉM DA MEMÓRIA. 
http://armazemmemoria.com.br/fascismo-nao-se-dialoga-se-combate/

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Liberal Conservador? Só no Brasil!

“Pedir liberdade do ponto de vista liberal, é pedir liberdade política, liberdade econômica, liberdade para os indivíduos, liberdade para as instituições, liberdade para a família, liberdade para os grupos. Liberdade em todos os campos da atividade humana”. Mario Vargas Llosa – Nobel de literatura 2010.
 
Portanto, quando você diz que apoia um liberal, mas quer impedir os outros de como se expressar, provar e decidir para a própria vida o que quiser, você é um falso liberal. Liberal e conservador são dois termos que não se conjugam simultaneamente num mesmo ser. Somente um esquizofrênico pode se autodenominar assim. E aqui no Brasil vemos muitos, inclusive certos presidenciáveis/2018.
 
O liberalismo original reivindica igualdade de oportunidades, assim, quando uma grande empresa pede empréstimo a juros módicos ao Estado (que não são concedidos a pequenas) ou quando você acha coisa de comunista taxar grandes heranças ou fortunas, o ponto de partida [ou a trajetória] na igualdade de oportunidades estão desfeitos e você também é um falso liberal. Isso implica desproporção na largada para as oportunidades, o que não refletirá o tal almejado sucesso meritório que muitos arrotam por aí.
 
A tal meritocracia que alguns aqui arrumaram como moda para falar de seu conceito "liberal" não se sustenta quando os herdeiros de fortunas gigantescas nada fizeram para merecerem a não ser pelo fator biológico ou legado por um terceiro. E isso, para o liberalismo de fato, gera distorções às premissas originárias dos pensadores deste campo. É ruim para o Estado e para a organização social do ponto de vista de sua perspectiva. Também ser contra a regulação do Estado para combater a pobreza ao mesmo tempo que aceita que ele libere fortunas para grandes empresários não condiz com o tal liberalismo.
 
Assim, um liberal na economia e conservador nos costumes só pode ser coisa de inocente brasileiro. a liberdade para os indivíduos pressupõe que quaisquer uns possam decidir o que querem fazer do próprio corpo e fazer o que bem entender da própria vida de acordo com suas escolhas pessoais. Isso inclui os grupos, sejam majoritários ou minoritários. O que significa que o conservadorismo à brasileira não cabe no liberalismo de fato, só no brasileiro meia boca. E isso se traduz numa forma hipócrita de tentar regular os outros e não querer ser regulado.
 
 

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Debate político - RN-2018



Sobre o debate na BAND Natal com os postulantes ao governo do RN em 2018
 
Em primeiro lugar, acho que a população do RN deve pedir ajuda, em orações aos céus, pelo que temos como possibilidades de governo ao avaliarmos o somente pelo prisma do bendito debate de 16/08/2018 realizado pela BAND Natal. Pareceu-me muita mediocridade junta trocando acusações numa briga de foice no escuro, especialmente entre os que têm melhores índices nas pesquisas. Em que pese o formato mal amanhado da peleja televisiva, especialmente por causa de um tempo tão minúsculo para perguntas e respostas, as propostas dos governáveis – quando existiram – ficaram somente numa generalidade vazia e sem detalhamento.
Não dá para termos quase nenhum parâmetro sobre como poderemos ter esperanças para um futuro governo a partir da contenda ao vivo arrotada pelos postulantes. Quase nada que se mostre realmente um discurso projetado à ação governamental que ajude ao RN a sair de suas mazelas instituídas ao longo de décadas, como precária condição da educação pública, a calamidade da saúde pública e a questão da segurança para a população (só pra ficar nesse três aspectos elementares).

Minha impressão sobre cada um deles:
1-   Breno Queiroga (Solidariedade) – parece bem articulado na fala, mas elenca a deusa tecnologia como uma solução definitiva para todos os males. Difícil é imaginar como – metodologicamente e sob quais estratégias – ele a colocaria em suas ações de governo. Faltou esse detalhamento conjugando-o ao orçamento disponível pelo estado;

2-   Carlos Alberto (PSOL) – tem uma fala consistente, mas ainda lhe falta mais didática política para dar fluidez ao que defende de modo que a população dê credibilidade às suas propostas;

3-   Dário Barbosa (PSTU) – foi um dos poucos que conseguiu articular bem as ideias a partir do seu ponto de vista ideológico. No entanto, não soube se adequar ao tempo que lhe fora concedido em cada momento para não ser cortado sem finalizar seu argumento;

4-   Freitas Júnior (REDE) – também não fez feio em termos de articulação da fala. Mas, pouco demonstrou as propostas dentro de uma realidade exequível porque preferiu falar mal dos outros (não sem razão, mas... propostas seriam mais atraentes). Acho que precisamos mais de realidade e menos de um ‘super’ faz tudo que a tudo dará solução;

5-   Heró Bezerra (PRTB) – sinceramente, se eu fosse o partido retiraria seu nome. Que cara mais despreparado até para uma conversa razoável com argumentos e contra argumentos! Nossa! Nem ler direito sua colinha o cara conseguia;


6-   Robinson Faria (PSD) – o cara é atual governador, trocentos anos de política e tem uma fala truncada, que não passa nenhuma credibilidade. Para se livrar de suas fragilidades como governante “atira” nos outros (embora ele tenha certa razão por certo isolamento político em sua gestão). Mas, tentou mostrar um RN meio de fantasia sobre alguns temas, como a saúde. E como é desagradável ouvi-lo falar de si em terceira pessoa como se estivesse se referindo a um ET que pousou no RN;

7-   Fátima Bezerra (PT) – Sei não, mas ela já foi parceira na política do atual governador e do ex-prefeito de Natal. Como está na liderança nas intenções de voto deveria aproveitar seu tempo mostrando propostas reais, detalhando possíveis ações, metas e estratégias. Enfim, os limites para um gestor sério no contemporâneo momento do RN. Mas, entrou na beligerância do acusa que me acusa que acuso. Também precisaria melhorar a fluidez da fala, ser mais didática e mais precisa nas proposições;


8-   Carlos Eduardo (PDT) – Esse ganhou o prêmio “não conheço o RN”. O cara é sem noção e transportou para o município de Caicó uma barragem que não está lá. Foi prepotente no tom da fala (não conhecia nome de um dos concorrentes, errou o sobrenome do mediador. Horrível!) e cínico ao desvencilhar os problemas de Natal (que governou por 04 oportunidades) dos do RN. E ainda teve a desfaçatez de dizer que planeja governar com o controle social do povo, com diálogo com a população. Ele sabe o que é dialogar com o povo quando está no governo? Tacanha nas respostas e superficial nas perguntas.

Enfim, somente este debate, como aporte de análise, deixam-nos desesperançosos sobre o nosso futuro estadual. Dá um desengano de ver essas figuras falando ao vivo e sem ensaio. Medenho é! Tomara que consigam esmiuçar de modo verdadeiro (se é que é possível) e com menos fantasia eleitoreira e mais limites dentro do que é plausível realizar em 04 anos para o combalido RN. Do contrário, ainda teremos novas ridicularidades em horário eleitoral gratuito com muito faz de conta e em debates ao vivo que estão por vir. Seria bom para todos os postulantes ao governo do RN um pouco mais de estudo, preparo para os debates e apresentação de projetos consistentes, reais e exequíveis para nosso estado.

No fim, ficou parecendo que estávamos assistindo um encontro de insanos, débeis e despreparados postulantes a atirarem uns contra os outros sem sabermos o que o futuro guarda para nós (alvissareiro parece que não será).




Imagem: fonte google.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Made in Brazil


O Brasil é realmente um espaçotempo social atravessado de justificadas asquerosidades e brutalizações simbólicas e materiais de infinitas potencialidades. No Brasil não existe e nem existirá um fundo do poço porque, parece, o poço brasileiro não tem fundo. Poderemos cair mais e mais e, a depender do ângulo de ‘idiotização’ e ‘malicialização’ de um ou de outro, haverá uma justificativa para deleitar o próprio regalo de quem argumenta nossas atrocidades.
Dentre todas as nossas desgraçadas distorções historicamente mal contadas, a morte causada, pensada, violenta,
intencional, é mais uma faceta plausível de nossos empreendimentos justificadores. Assim, numa prosa entre o idiota generalizado e a malícia vertiginosa, qualquer usurpação extravagante da vida humana, no Brasil, pode ter um “belo” argumento a aliviar a alma e redimir nossas atrozes atitudes pouco civilizadas:
Diz o idiota:
- minha amiga malícia, você viu a última notícia? Mataram dez no bairro tal!
Retruca a malícia:
- envolvidos com drogas?
- Sim, afirma o idiota!
- também – analisa a malícia – queria o quê? Bem, feito! Quem se mete com coisa desse tipo, só merece bala e caixão! E aquela mulher que enfrentou e denunciou o marido violento?
- uma feminazi que não sabia se comportar, impõe o idiota! E aquele militante de esquerda que foi executado?
- isso é o que acontece com esses esquerdopatas, com essa coisa de Direitos Humanos que só defendem bandidos. Mas, teve um policial morto na frente de casa quando voltava do trabalho...
- pois é malícia, um imbecil, queria ser honesto demais, combater criminosos a todo custo, com o salário que ganha um policial? De peito aberto? Besta! Olha o que dá querer ser santinho no Brasil, se apressa a justificar a idiota! Igual àquela Promotora linha dura. Ainda teve aquele religioso que inventava de ir para as periferias pra ajudar vagabundo, com essa história de desigualdade social.
A malícia logo concorda:
- o que é que tinha de ir se meter com essa gente de favela? Como aquele deputado que lutava por reforma agrária, foi se meter com quem estava quieto e que tem suas propriedades há séculos, dá nisso!
E assim podemos exagerar em quase todos os graus de conversa que tal “cidadão de bem” deitará uma justificativa atroz para nosso próprio desprezo comunitário. Somos violentos, arrogantes e mal educados. Mas, deitamos falação sobre a indelicadeza do viver do outro, apontando seus erros e desavenças com a “moral” e com os “bons costumes”. E assim, todo brasileiro é bom e honesto – mesmo sendo portador de cada jeitinho! E até que se prove o contrário, o terceiro comentado tem sempre um bom motivo para se lascar. Um “elegante” e “promissor” processo civilizacional por estas bandas. Quase modelo europeu.

Imagem: Wikipédia

terça-feira, 1 de novembro de 2016

E os novos tempos antigos?

Que tal uma greve de braços cruzados e serviço travado sem sair do trabalho?
Que tal, ao invés de paradas grevistas tradicionais, irmos todos os dias ao trabalho, assinar o ponto e nada fazer até o governo entender?
Que tal ocupações bem pensadas nos nossos locais de trabalho?
Que tal mapearmos os políticos do legislativo, suas bases de apoio (representantes delas), com visitas e emails até nos ouvir?
Que tal parar sem parar?
Ocupar e agregar?
Insistir e pressionar a quem se deve de forma seletiva em cada estado?
Que tal pensar sem gritar palavras de ordem?
Que tal chegarmos ao séc. XXI?
Sobre a PEC 55 só são 81 senadores. Nem isso tudo precisa. Eles são os que interessam porque são os que vão decidir.
Eles deveriam ser o alvo direto. São três em cada estado. Muito pouca gente se tivermos como pensar novas táticas para tempos atuais.

Livro de poesia: Na bacia das almas

NA BACIA DAS ALMAS, O SEGUNDO LIVRO DE POESIA DE VERIDIANO MAIA DOS SANTOS, ABORDA POEMAS SOBRE A CIDADE, SUA CONCRETUDE E SEUS SIMBOLISMOS...