sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Liberal Conservador? Só no Brasil!

“Pedir liberdade do ponto de vista liberal, é pedir liberdade política, liberdade econômica, liberdade para os indivíduos, liberdade para as instituições, liberdade para a família, liberdade para os grupos. Liberdade em todos os campos da atividade humana”. Mario Vargas Llosa – Nobel de literatura 2010.
 
Portanto, quando você diz que apoia um liberal, mas quer impedir os outros de como se expressar, provar e decidir para a própria vida o que quiser, você é um falso liberal. Liberal e conservador são dois termos que não se conjugam simultaneamente num mesmo ser. Somente um esquizofrênico pode se autodenominar assim. E aqui no Brasil vemos muitos, inclusive certos presidenciáveis/2018.
 
O liberalismo original reivindica igualdade de oportunidades, assim, quando uma grande empresa pede empréstimo a juros módicos ao Estado (que não são concedidos a pequenas) ou quando você acha coisa de comunista taxar grandes heranças ou fortunas, o ponto de partida [ou a trajetória] na igualdade de oportunidades estão desfeitos e você também é um falso liberal. Isso implica desproporção na largada para as oportunidades, o que não refletirá o tal almejado sucesso meritório que muitos arrotam por aí.
 
A tal meritocracia que alguns aqui arrumaram como moda para falar de seu conceito "liberal" não se sustenta quando os herdeiros de fortunas gigantescas nada fizeram para merecerem a não ser pelo fator biológico ou legado por um terceiro. E isso, para o liberalismo de fato, gera distorções às premissas originárias dos pensadores deste campo. É ruim para o Estado e para a organização social do ponto de vista de sua perspectiva. Também ser contra a regulação do Estado para combater a pobreza ao mesmo tempo que aceita que ele libere fortunas para grandes empresários não condiz com o tal liberalismo.
 
Assim, um liberal na economia e conservador nos costumes só pode ser coisa de inocente brasileiro. a liberdade para os indivíduos pressupõe que quaisquer uns possam decidir o que querem fazer do próprio corpo e fazer o que bem entender da própria vida de acordo com suas escolhas pessoais. Isso inclui os grupos, sejam majoritários ou minoritários. O que significa que o conservadorismo à brasileira não cabe no liberalismo de fato, só no brasileiro meia boca. E isso se traduz numa forma hipócrita de tentar regular os outros e não querer ser regulado.
 
 

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Debate político - RN-2018



Sobre o debate na BAND Natal com os postulantes ao governo do RN em 2018
 
Em primeiro lugar, acho que a população do RN deve pedir ajuda, em orações aos céus, pelo que temos como possibilidades de governo ao avaliarmos o somente pelo prisma do bendito debate de 16/08/2018 realizado pela BAND Natal. Pareceu-me muita mediocridade junta trocando acusações numa briga de foice no escuro, especialmente entre os que têm melhores índices nas pesquisas. Em que pese o formato mal amanhado da peleja televisiva, especialmente por causa de um tempo tão minúsculo para perguntas e respostas, as propostas dos governáveis – quando existiram – ficaram somente numa generalidade vazia e sem detalhamento.
Não dá para termos quase nenhum parâmetro sobre como poderemos ter esperanças para um futuro governo a partir da contenda ao vivo arrotada pelos postulantes. Quase nada que se mostre realmente um discurso projetado à ação governamental que ajude ao RN a sair de suas mazelas instituídas ao longo de décadas, como precária condição da educação pública, a calamidade da saúde pública e a questão da segurança para a população (só pra ficar nesse três aspectos elementares).

Minha impressão sobre cada um deles:
1-   Breno Queiroga (Solidariedade) – parece bem articulado na fala, mas elenca a deusa tecnologia como uma solução definitiva para todos os males. Difícil é imaginar como – metodologicamente e sob quais estratégias – ele a colocaria em suas ações de governo. Faltou esse detalhamento conjugando-o ao orçamento disponível pelo estado;

2-   Carlos Alberto (PSOL) – tem uma fala consistente, mas ainda lhe falta mais didática política para dar fluidez ao que defende de modo que a população dê credibilidade às suas propostas;

3-   Dário Barbosa (PSTU) – foi um dos poucos que conseguiu articular bem as ideias a partir do seu ponto de vista ideológico. No entanto, não soube se adequar ao tempo que lhe fora concedido em cada momento para não ser cortado sem finalizar seu argumento;

4-   Freitas Júnior (REDE) – também não fez feio em termos de articulação da fala. Mas, pouco demonstrou as propostas dentro de uma realidade exequível porque preferiu falar mal dos outros (não sem razão, mas... propostas seriam mais atraentes). Acho que precisamos mais de realidade e menos de um ‘super’ faz tudo que a tudo dará solução;

5-   Heró Bezerra (PRTB) – sinceramente, se eu fosse o partido retiraria seu nome. Que cara mais despreparado até para uma conversa razoável com argumentos e contra argumentos! Nossa! Nem ler direito sua colinha o cara conseguia;


6-   Robinson Faria (PSD) – o cara é atual governador, trocentos anos de política e tem uma fala truncada, que não passa nenhuma credibilidade. Para se livrar de suas fragilidades como governante “atira” nos outros (embora ele tenha certa razão por certo isolamento político em sua gestão). Mas, tentou mostrar um RN meio de fantasia sobre alguns temas, como a saúde. E como é desagradável ouvi-lo falar de si em terceira pessoa como se estivesse se referindo a um ET que pousou no RN;

7-   Fátima Bezerra (PT) – Sei não, mas ela já foi parceira na política do atual governador e do ex-prefeito de Natal. Como está na liderança nas intenções de voto deveria aproveitar seu tempo mostrando propostas reais, detalhando possíveis ações, metas e estratégias. Enfim, os limites para um gestor sério no contemporâneo momento do RN. Mas, entrou na beligerância do acusa que me acusa que acuso. Também precisaria melhorar a fluidez da fala, ser mais didática e mais precisa nas proposições;


8-   Carlos Eduardo (PDT) – Esse ganhou o prêmio “não conheço o RN”. O cara é sem noção e transportou para o município de Caicó uma barragem que não está lá. Foi prepotente no tom da fala (não conhecia nome de um dos concorrentes, errou o sobrenome do mediador. Horrível!) e cínico ao desvencilhar os problemas de Natal (que governou por 04 oportunidades) dos do RN. E ainda teve a desfaçatez de dizer que planeja governar com o controle social do povo, com diálogo com a população. Ele sabe o que é dialogar com o povo quando está no governo? Tacanha nas respostas e superficial nas perguntas.

Enfim, somente este debate, como aporte de análise, deixam-nos desesperançosos sobre o nosso futuro estadual. Dá um desengano de ver essas figuras falando ao vivo e sem ensaio. Medenho é! Tomara que consigam esmiuçar de modo verdadeiro (se é que é possível) e com menos fantasia eleitoreira e mais limites dentro do que é plausível realizar em 04 anos para o combalido RN. Do contrário, ainda teremos novas ridicularidades em horário eleitoral gratuito com muito faz de conta e em debates ao vivo que estão por vir. Seria bom para todos os postulantes ao governo do RN um pouco mais de estudo, preparo para os debates e apresentação de projetos consistentes, reais e exequíveis para nosso estado.

No fim, ficou parecendo que estávamos assistindo um encontro de insanos, débeis e despreparados postulantes a atirarem uns contra os outros sem sabermos o que o futuro guarda para nós (alvissareiro parece que não será).




Imagem: fonte google.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Made in Brazil


O Brasil é realmente um espaçotempo social atravessado de justificadas asquerosidades e brutalizações simbólicas e materiais de infinitas potencialidades. No Brasil não existe e nem existirá um fundo do poço porque, parece, o poço brasileiro não tem fundo. Poderemos cair mais e mais e, a depender do ângulo de ‘idiotização’ e ‘malicialização’ de um ou de outro, haverá uma justificativa para deleitar o próprio regalo de quem argumenta nossas atrocidades.
Dentre todas as nossas desgraçadas distorções historicamente mal contadas, a morte causada, pensada, violenta,
intencional, é mais uma faceta plausível de nossos empreendimentos justificadores. Assim, numa prosa entre o idiota generalizado e a malícia vertiginosa, qualquer usurpação extravagante da vida humana, no Brasil, pode ter um “belo” argumento a aliviar a alma e redimir nossas atrozes atitudes pouco civilizadas:
Diz o idiota:
- minha amiga malícia, você viu a última notícia? Mataram dez no bairro tal!
Retruca a malícia:
- envolvidos com drogas?
- Sim, afirma o idiota!
- também – analisa a malícia – queria o quê? Bem, feito! Quem se mete com coisa desse tipo, só merece bala e caixão! E aquela mulher que enfrentou e denunciou o marido violento?
- uma feminazi que não sabia se comportar, impõe o idiota! E aquele militante de esquerda que foi executado?
- isso é o que acontece com esses esquerdopatas, com essa coisa de Direitos Humanos que só defendem bandidos. Mas, teve um policial morto na frente de casa quando voltava do trabalho...
- pois é malícia, um imbecil, queria ser honesto demais, combater criminosos a todo custo, com o salário que ganha um policial? De peito aberto? Besta! Olha o que dá querer ser santinho no Brasil, se apressa a justificar a idiota! Igual àquela Promotora linha dura. Ainda teve aquele religioso que inventava de ir para as periferias pra ajudar vagabundo, com essa história de desigualdade social.
A malícia logo concorda:
- o que é que tinha de ir se meter com essa gente de favela? Como aquele deputado que lutava por reforma agrária, foi se meter com quem estava quieto e que tem suas propriedades há séculos, dá nisso!
E assim podemos exagerar em quase todos os graus de conversa que tal “cidadão de bem” deitará uma justificativa atroz para nosso próprio desprezo comunitário. Somos violentos, arrogantes e mal educados. Mas, deitamos falação sobre a indelicadeza do viver do outro, apontando seus erros e desavenças com a “moral” e com os “bons costumes”. E assim, todo brasileiro é bom e honesto – mesmo sendo portador de cada jeitinho! E até que se prove o contrário, o terceiro comentado tem sempre um bom motivo para se lascar. Um “elegante” e “promissor” processo civilizacional por estas bandas. Quase modelo europeu.

Imagem: Wikipédia

terça-feira, 1 de novembro de 2016

E os novos tempos antigos?

Que tal uma greve de braços cruzados e serviço travado sem sair do trabalho?
Que tal, ao invés de paradas grevistas tradicionais, irmos todos os dias ao trabalho, assinar o ponto e nada fazer até o governo entender?
Que tal ocupações bem pensadas nos nossos locais de trabalho?
Que tal mapearmos os políticos do legislativo, suas bases de apoio (representantes delas), com visitas e emails até nos ouvir?
Que tal parar sem parar?
Ocupar e agregar?
Insistir e pressionar a quem se deve de forma seletiva em cada estado?
Que tal pensar sem gritar palavras de ordem?
Que tal chegarmos ao séc. XXI?
Sobre a PEC 55 só são 81 senadores. Nem isso tudo precisa. Eles são os que interessam porque são os que vão decidir.
Eles deveriam ser o alvo direto. São três em cada estado. Muito pouca gente se tivermos como pensar novas táticas para tempos atuais.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

29

"Perdi vinte em vinte e nove amizades
Por conta de uma pedra em minhas mãos
Me embriaguei morrendo vinte e nove vezes
Estou aprendendo a viver sem você
(Já que você não me quer mais)"
Legião Urbana


Hoje será o dia em que a farsa política brasileira se fará mais visível, pois se apresentará uma presidente, aos seus algozes, para tentar explicar sua inocência diante de um bando de políticos duvidáveis, mas que todos já sabem o desfecho: esse jogo já teve seu resultado antecipado faz tempo.

Em 29 de agosto de 1825 houve o reconhecimento da independência do Brasil por Portugal - hilário que no aniversário de 191 anos desta data, as forças progressistas do Brasil estejam lutando contra um golpe que quer por o país dependente outra vez. 

Em 29 de agosto de 1966 a banda inglesa The Beatles realizava, no EUA, seu último show oficial (tristeza para os fãs). O show de horrores do processo de impeachment da primeira mulher eleita presidente da república brasileira a obriga a enfrentar toda sorte de corruptos históricos travestidos de paladinos da justiça. Irônico!

Em 29 de agosto de 1993 acontece a chacina de Vigário Geral, onde 21 pessoas foram assassinadas. A presidente afastada tenta como último ato convencer um senado mal explicado a não matarem - por meio de um golpe parlamentar, jurídico e midiático - a democracia jovem do Brasil e um projeto de inclusão social.

Em agosto de 2005, neste mesmo 29, o furacão Katrina atinge a cidade de New Orleans provocando estragos devastadores e vítimas que marcaram os EUA. Neste 29 do corrente ano, Dilma Rousseff tenta evitar que o país caia num vendaval duradouro de políticas anti-povo e neoliberais extremas que aspiram entregar as riquezas do nosso pré-sal a grandes multinacionais do petróleo e ao mercado especulativo nossa autonomia de nação, em detrimento das necessidades mais prementes da população brasileira mais vulnerável financeiramente.

Sabina (séc. I/II) era uma nobre e rica viúva romana que buscava o conforto de uma fé verdadeira. Assim, aproximou-se de uma criada chamada Seráfia, que era cristã e, como tal, comportava-se de maneira caridosa e dócil com todas as pessoas. Aos poucos, Seráfia foi introduzindo a patroa nos princípios da fé cristã e não tardou para que esta logo viesse a se converter, tornando-se uma cristã fervorosa e obediente aos preceitos de sua fé.

As perseguições aos cristãos logo atingiram patroa e empregada. Presas, Seráfia foi torturada e, não resistindo, veio a morrer. Sabina, porém, valeu-se de sua influência na corte e conseguiu ser libertada. Passou, então, a atuar com mais fervor e transformou sua própria casa em uma igreja. Logo depois, foi novamente presa e, desta vez, não conseguiu influenciar a decisão dos governantes. Foi torturada e morta por seus perseguidores. Dilma, presa e torturada ao lutar pela democracia do Brasil, é torturada novamente por uma política traidora e baixa.

Hoje é 29 de agosto. Dia em que a primeira presidente mulher do Brasil terá seu último ato de resistência e coragem diante do Senado. Não precisaria se esse país fosse um pouco mais sério e democrático de verdade. O dia de hoje entrará para a história como página nefasta de uma articulação política suja, mas bem orquestrada que levou o país para o rumo da traição e do abismo em seu processo civilizatório.

Ps. Curiosidade sobre os 191 anos de reconhecimento de nossa independência: 

O artigo 191 do Código Penal diz que quem, sem consentimento ou autorização de quem de direito, entrar ou permanecer em pátios, jardins ou espaços vedados anexos a habitação, em barcos ou outros meios de transporte, em lugar vedado e destinado a serviço ou a empresa públicos, a serviço de transporte ou ao exercício de profissões ou actividades, ou em qualquer outro lugar vedado e não livremente acessível ao público, é punido com pena de prisão até três meses ou com pena de multa até 60 dias.

O engraçado é que o povo não deu autorização direta aos golpistas para invadirem e permanecerem no Planalto.




  

Livro de poesia: Na bacia das almas

NA BACIA DAS ALMAS, O SEGUNDO LIVRO DE POESIA DE VERIDIANO MAIA DOS SANTOS, ABORDA POEMAS SOBRE A CIDADE, SUA CONCRETUDE E SEUS SIMBOLISMOS...