quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Categorias e Eleições: precisamos de representantes de verdade.


Categorias e Eleições: precisamos de representantes de verdade.

O pau que mais tem nos dias de hoje são os trabalhadores “organizados” em categorias: de professores, de profissionais da saúde, de servidores públicos, etc, etc. Cada uma dessas categorias têm seus próprios sindicatos que, em alguns casos, são meio controvertidos. Por exemplo, o sindicato dos professores das redes públicas do estado do RN e, consequentemente, do município do Natal, vez enquando deixa os professores mais ressabiados em dúvida quanto às suas reais ações em prol dos docentes que “representa”.

O grande problema dos dirigentes dos sindicatos, a meu ver, é que depois que eles chegam lá (no posto diretivo), faz como a maioria dos políticos que criticam: não querem mais largar o osso de jeito algum. É uma mosquinha danada essa da política, quando pica o sujeito, acabou-se! Às vezes, ou todas as vezes, o companheiro ou a companheira esquece sua própria profissão e passar a defender seus interesses políticos: sejam em sindicatos ou em representações proporcionais e/ou majoritárias da nossa bem vista política tupiniquim. Qualquer semelhança é mera coincidência.

Geralmente, as categorias esperam muito pelas orientações sindicais ou da bonança de um político abnegado para falar por elas. A grande maioria não percebe que têm certas coisas que não precisa de político ou sindicato algum para que façam a coisa acontecer e se fazerem representados de verdade. Um exemplo é na hora do voto (como qualquer eleitor). Eu me pergunto: porque uma categoria como a de docentes do município do Natal não tem um representante de verdade da câmara municipal? Precisa alguém dizer que seria necessário? Ou alguma vez os professores do ensino público desta capital se sentiram representados e ouvidos realmente? Porque não elegem seu representante concreto, com responsabilidades bem definidas? Estamos falando de trabalhadores da educação que são supostamente formadores de pessoas e de opiniões (ou deveriam ser).

Utilizando-se da categoria dos docentes da cidade do Natal como exemplo, esta cidade deve ter na ativa, hoje em dia, mais de 3,5 mil professores, sem contar com os tantos outros que estão aposentados, mas que se ressentem da mesma representação. Se você contar com esposos e esposas, filhos e filhas e agregados, esse número cresce consideravelmente. Sugestão, temos Amanda Gurgel: professora, lutadora e candidata.

Certamente nesse contingente teríamos, no mínimo, uns 05 mil eleitores. Esse número é capital eleitoral inicial significativo para que pudéssemos fazer nosso representante na vereança natalense. Então, porque não o fazemos? Porque nos dividimos tanto e acabamos sem ninguém para falar verdadeiramente por nós? Por que outras categorias não o fazem com seus números não menos significativos? E se os sindicatos irradiassem a ideia, interiorizando-a? Mas, claro, sindicatos têm seus interesses políticos que muitas vezes não passa dos interesses das suas respectivas direções. São raras exceções. E é claro também que o ser humano, professor ou não, é um ser complexo com interesses distintos e tem enorme dificuldade de partilhar e compartilhar de um mesmo pensamento comum em prol de todos. Freud explica!

Acho que a categoria professoral, como essencialmente formadora de opinião, poderia dar início e exemplo para outras co-irmãs. Agora, imagina terem-se câmaras legislativas municipais com vereadores e vereadoras eleitos e eleitas por suas respectivas classes de trabalhadores e trabalhadoras (isso em todos os municípios): de docentes, da saúde, da segurança, dos demais servidores! Acho que seria bem diferente a coisa na política! Obviamente esses pretensos eleitos iriam defender os trabalhadores e se se debandassem para o lado obtuso da coisa, elegeríamos outros e assim até acertarmos. Será que se faria política de forma diferente?

Esse exemplo sonhador e ingênuo (de se alcançar tal feito na nossa maturidade eleitoral) poderia se estender a outros grupos, como a classe artístico-cultural (Rodrigo Bico é candidato e é um ótimo postulante ao cargo) que tanto luta por suas expressões e ações, e que pouco tem respeito de forma séria da parte dos políticos profissionais, com políticas de estado nessas áreas que contemple a diversidade de manifestações artístico-culturais existentes na nossa cidade, no nosso estado.

Enfim, as coisas poderiam se tornar mais amenas para os trabalhadores em nossas lutas diárias. Bastaríamos desenvolver uma consciência de voto e de organização em torno de um representante político nosso, de verdade. Não haveria necessidade de grandes empreendimentos financeiros; somente uma maturidade comum eleitoral e de classe.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

NOSSOS CANDIDATOS NOVOS e SEUS ALIADOS!


 Nossa Doce Cocada!

Carlos Eduardo, político de longas datas, ex-prefeito de Natal, oriundo político da família “Alves”, mas que se “desfamiliarizou” politicamente de seus primos poderosos. Sua gestão como prefeito não foi um primor para a educação (é só perguntar aos professores do município – sempre desvalorizados); na saúde também não foi essa coca-cola toda (vide caso dos famosos remédios que apodreceram, não vingaram, não foram aproveitados tal qual se pede a boa administração pública – sei lá!).
A dona Wilma de Faria que já fora Maia, é candidata à vice na chapa do Carlos Eduardo. Também ex-prefeita, ex-governadora, ex-muita coisa. Começou na política introduzida nessa doce fábrica de sonhos e de poder pelo ex-marido “Lavô” e durante muito tempo esteve sob a tutela política de Agripino Maia. Este, que é engenheiro de formação, mas profissional da política por continuação e que nunca larga o osso. Wilma se separou politicamente dos “Maias”, garimpou outros partidos, se autoproclamou ‘guerreira’ e em determinados momentos ou em todos transitou por várias correntes filosóficas “politiquentas” aliando-se a várias figuras diferentes dentre elas, a galera do PT e a do PMDB.
Entre Carlos Eduardo, Wilma, Agripino, etc, etc, existe a competente gestão verde vergonhosa atual da senhora Micarla (cria política desses aí e muitos outros), que aproximou o chão viário de Natal das crateras lunares; que improvisou na educação um caos antipedagógico; que contribuiu para o ‘pioramento’ da saúde... Ah! Esquece!!!


O PT do Mineiro, por sinal, que voltou a querer ser puro sangue neste pleito também transita no RN (e no resto do Brasil) por mares dantes nunca navegados (e agora, de vez enquando ou sempre navegados), levantando suspeitas sobre se ainda existe ideologia político-partidária, se o sonho ainda não morreu ou se foi enterrado vivo alguns tempos atrás.
Na outra ponta desse iceberg esquizofrênico da política potiguar ainda existem o Rogério e o Hermano que são crianças gestadas nas bases políticas do PSDB, PSB, PMDB e outros “Ps”. O Sr. Rogério sempre esteve bem pertinho da d. Wilma, mas um belo dia, após uma aliança doida e esquisitinha do pleito passado, ele ficou chateadinho com sua fomentadora partidária e resolveu pegar o beco, se insuflando em outras direções. O Hermano também já deu suas transitadas ziguezagueantes na política e agora se apresenta como o “novo” para Natal.
Da esquerda ainda existe a candidatura do PCB (com Roberto Lopes) e do PSOL, com o professor universitário Robério Paulino (que tem um discurso interessante e se mostra independente). Estes últimos dois candidatos não têm o peso midiático e econômico, não conseguindo chegar com força a todos os eleitores. Na realidade vivemos numa democracia que mostra sua antidemocracia nos pleitos eleitorais: a justiça e a igualdade de condições econômicas passam longe das eleições no Brasil.

Enfim, como podemos ver, de novo mesmo existe pouca opção. O que na verdade existe é gente que sempre esteve no poder, de uma forma ou de outra, que são responsáveis diretos pela bagunça administrativa e gerencial da cidade do Natal (cada um com seu pecado pra carregar e não adianta tentar escondê-lo). Agora, seria muito honesto da parte de muitos dos postulantes a ocuparem o palácio Felipe Camarão admitirem suas respectivas parcelas nesse balaio de gatos caótico que se tornou Natal e pararem de se acharem a “novidade no sabor da gostosa cocada” porque eles passam bem distantes disso.

Dá para entender o ‘vai e vem’ todo desses políticos autointitulados de salvadores da capital potiguar? Dá para aceitar esse imbróglio politiqueiro que muda de configuração hermética a cada quatro anos ou menos? Dá para engolir a salvação anunciada? Dá para colocar muita gente aí no mesmo liquidificador? Respondam-me, pois já não entendo mais nada!

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Duas propostas ótimas para Natal!


Campanha nas ruas: entre circo e proposições.

Prezados e prezadas. A campanha eleitoral já está a todo vapor e começamos a nos “acostumar” com os postulantes a serem nossos representantes na vereança municipal de Natal. Tem pra tudo que é gosto e estilo. É tanta gente de tanto partido falando isso e aquilo e aquilo mais que me sinto num tiroteio de verborragias e falatórios que me deixam desarticulado das ideias, vez enquando.

Dentre as tantas opções não faltam os que detém poder e dinheiro e botam o seu circo nas ruas com carros de som, passeatas com filas e filas de carros de correligionários ideológicos (ou alugados por qualquer preço para fazerem número – imagino!) e os que usam a miséria e a pobreza daqueles que nunca têm direito a nada, desgraçadamente, para servirem de bonecos humanos nas avenidas da cidade segurando bandeiras de candidatos duvidosos.

É o circo do dinheiro que a politicagem traz.  Como é angustiante ver pessoas ao meio dia, com o sol na moleira, segurando bandeira com número e foto de gente que nunca foi vista entre eles, exceto, claro, obviamente, em tempo de eleição por um punhado minúsculo de dinheiro. Ô, prática nojenta essa desses políticos! O circo continua no entrecruzamento de carros de som e sons de músicas medonhas nos nossos ouvidos sobre esse ou aquele, fulana ou beltrana com frases poéticas, como: “Biltrinho, é nesse que vou votar!” ou “Hiprocritazinha, nessa confio demais”!

A gente não vê muito debate ideológico ou de propostas reais de nossos candidatos. Os ditos vazios sobre educação, saúde e segurança, sem dizer como, já me dão náuseas. Juro! Desconfio que a maioria dos postulantes à vereança natalense pouco têm conhecimento de causa concreta acerca das atribuições reais de um membro do legislativo municipal. 

Mas, existem ainda e, graças aos céus, candidatos e candidatas ao nosso legislativo que valem a pena a gente observar com maior detalhe e atenção. São os casos de Rodrigo Bico (PT) e Amanda Gurgel (PSTU), por exemplo.

Rodrigo Bico é um militante ferrenho em defesa da cultura popular, do fortalecimento cultural da cidade e dos artistas que sempre são relegados pelos poderes públicos na maioria das vezes. Como diz o movimento, “cultura não (é)vento”. E Bico, que faz parte dos pontos de cultura do RN, mantendo um no conjunto Pirangi há tempos a duras penas, sabe bem disso e luta pela causa cultural e artística da cidade.


Amanda Gurgel é uma criatura fantástica e verdadeiramente guerreira em defesa da educação pública e dos trabalhadores. Ela é outra ótima opção de voto. Nela, quem votar, saberá que estará votando em uma mulher forte, inteligente, determinada e honesta. Como professor, não imagino outra pessoa para a categoria docente das redes públicas de ensino votar que não seja “Amandita”. 

Também não vejo contrassenso falar aqui em dois candidatos. Acho que se estudantes da EJA do município, secundaristas e pais de filhos que estudam na rede pública de ensino em Natal – se querem ter alguma esperança em uma mínima melhora no nosso sistema educacional – vota em Amanda que ela pode ajudar. E acho que aqueles que militam pela praia da arte e da cultura podem confiar no Bico para representá-los bem na Câmara Legislativa de Natal. Acho até que, em os dois sendo eleitos (e isso é bem possível, basta querermos), eles podem fazer uma ótima tabelinha no legislativo em defesa da educação, da arte e da cultura de nossa cidade. São de partidos diferentes, mas ambos têm conteúdo – cada a seu modo. Ambos são distintos e são ótimas opções para quebrarmos com a sequência quase infindável da mesmice que aí está posta na vereança de Natal. E tenho dito!

sábado, 14 de julho de 2012

Eleições 2012: existem candidatos decentes?


Estamos diante de mais uma nova/velha e inovadora/repetitiva campanha para a escolha, através do voto popular, de nossos representantes políticos que serão os decisivos encabeçadores para os caminhos da nossa Natal nos próximos quatro anos. É complicado pensar nisso, visto que há tempos vivemos as amarguras improvisadas de representantes mal fadados que nos provam suas respectivas práticas hegemônicas em prol daqueles que estão no topo da cadeia alimentar e contra a maioria que está na base da montanha.
Nossa querida cidade está à deriva, e não digo isso somente a partir do desastroso período em que vivemos sob a batuta do governo encampado pela senhora borboleta verdosa. Depois do governo Djalma Maranhão, não consigo encontrar na história política desta cidade algum governante que realmente tivesse valido o esforço. Essa atual gestão é somente a culminância das desastradas e intencionais práticas políticas dos poderosos que sempre dominaram a prefeitura da capital potiguar. E tem candidato que já governou e foi pouco justo para com o povo que quer pegar carona no desastre atual para se postar de novo e de salvação. Ledo engano daqueles que pensam que o passado governamental recente vai ser benefício para o povo. Não voto em quem tem processo na justiça por desvios de conduta ou gestão pública questionável. Quem é honesto de verdade sequer chega às barbas da justiça.
Mas, não coloquemos os louros da incompetência intencional em deixar o de cima em cima e o do baixo em baixo só no executivo. Nosso legislativo é tão culpado quanto todo o executivo o é. A omissão consciente do legislativo municipal nas últimas décadas é tão latente quanto os milhares e milhares e milhares de buracos existentes na imensa maioria das ruas e avenidas de Natal são reais e presentes no dia a dia dos natalenses.
O sofrimento doentio e terminal da educação pública do município do Natal, em sua mais abrangente expressão, não é somente o fruto da negligência dos últimos governantes do palácio Felipe Camarão (e olha que eles são muito negligentes). Essa total derrocada da educação pública municipal é um fenômeno também creditado aos nossos vereadores que não têm o menor compromisso com aqueles (alunos e professores) que estão nas desestruturadas escolas públicas em funcionamento. Não temos representantes do povo no nosso legislativo, exceto uma minoria absoluta.
Nossa saúde pública também não é só obra dos prefeitos e das prefeitas. Coloquem um pouco dos caos na saúde pública em Natal na conta de nossos representantes do legislativo. Estes, historicamente, se utilizam do cargo que os eleitores lhes conferiram para usarem meios obtusos para lograrem benesses particulares e, consequentemente, nada fazerem de verdade pelas massas oprimidas.
Natal tem artistas competentes, talentosos e ativos. Se não conseguem uma produção mais incisiva e abrangente não é por inércia da comunidade artística desta cidade. Deve haver algum caroço no angu político que não pratica políticas públicas consistentes que possam fomentar a arte desta cidade como veículo de democratização e de formação de cidadãos críticos na generalidade da cidade.
Esquecemos, por vezes, desses detalhes em relação aos vereadores e acabamos por repetir erros e colocar como nossos “defensores” e “representantes” as mesmas figuras torpes e oriundas das elites eternas de Natal. Caímos em erro outra vez e amargamos nossas penúrias sociais e culturais de quatro em quatro anos. E não adianta reclamar depois do erro. Tirá-los de lá é tão difícil quanto a transposição do São Francisco.
Mas, existem, em cada eleição, opções que podem ser o escape do horror político em que padecemos ultimamente e historicamente. Nem só de políticos representantes das elites dominantes vivemos nesta eleição de 2012. Há gente séria, há gente honesta, empenhada em buscar mudanças e justeza social e que traz consigo o sentimento de indignação contra a torpeza política em nossa cidade. São opções de voto muito interessantes, e só custa o nosso digitar dos números adequados nas urnas para tentarmos uma mudança consistente em nossa representação executiva e legislativa (principal foco deste minúsculo texto).
Essas opções honestas de candidaturas honrosas e dedicadas ao bem de todos encontram figuras reais nos mais diversos segmentos sociais e representações. Exemplo disso está na mais eloquente representante conhecida da nossa educação pública municipal: AMANDA GURGEL. Esta moça simples, honesta e lutadora pela qualidade da educação é a mais perfeita opção para a vereança em Natal para aqueles que querem ver a educação pública em Natal melhorar (nem que seja um pouquinho – e isso não é tarefa fácil). Cada pessoa (cidadão eleitor) que trabalha na educação pública municipal ou que tem filho estudando nela poderá olhar para AMANDA GURGEL com seriedade e depositar nela um voto de extrema confiança. Conheço AMANDA faz muito tempo e ela é o que apareceu no ‘You Tube’ para o grande público. AMANDA vale a pena e confio muito no seu potencial, na sua inteligência, honradez e em sua competência. Não sou PSOL, Não sou PSTU, Não sou DEM, não sou PT, não sou filiado a nenhum partido, mas sou conhecedor da vontade impressionante que AMANDA tem em querer mudar e dar um pouco de dignidade à educação pública nesta cidade. Tenho certeza que, se ela for eleita, a cidade terá uma voz verdadeira pela educação, pelos menos favorecidos e pela cidade.
Amanda Gurgel, professora.
Como não sou político, vou falar de outra opção para a vereança municipal para os eleitores e cidadãos que prezam pela cultura, pelas artes e pela luta para o fortalecimento dessas áreas na cidade: é o RODRIGO BICO. Ator, produtor e lutador pela dignidade de nossa cultura popular e acessível a todos e pela dignidade de nossos artistas. Ele é um dos bravos soldados que buscam, constantemente, pelo fortalecimento dos pontos de cultura em Natal e no estado, e tenho certeza que seria uma voz ativa nessa área no legislativo municipal, se eleito for. Aqueles que prezam pela arte e pela cultura, podem olhar pro RODRIGO sem desconfiança.
 



 Rodrigo Bico, ator.

Peço, humildemente, a ambos os citados nesse texto que não fiquem chateados comigo por usar seus respectivos nomes e imagens sem suas permissões, mas é que, como cidadão observador e crítico, tenho a obrigação de dizem: opções excelentes para o legislativo municipal existem. Estão aí, postos para a apreciação popular. Cada um com sua vertente e ambos podem ser eleitos para termos um pouco de ar descontaminado na câmara municipal desta cidade. Cabe ao eleitor decidir. Fica a dica! Ambos podem ser eleitos se formos conscientes e se quisermos representantes dedicados à educação e à cultura na câmara municipal do Natal. Se não quiserem, podem eleger os mesmos/velhos parasitas.





quinta-feira, 17 de maio de 2012

Desabafo de uma professora!

RESPOSTA À REVISTA VEJA
 
 
 
Abaixo estou postando uma cópia da carta escrita por uma professora que trabalha  no Colégio Estadual Mesquita, à revista Veja. Peço, por favor, que repasse a todos que conhece, vale a pena ler:

Sou professora do Estado do Paraná e fiquei indignada com a reportagem da jornalista Roberta de Abreu Lima "Aula Cronometrada".

É com grande pesar que vejo quão distante estão seus argumentos sobre as causas do mau desempenho escolar com as VERDADEIRAS razões que  geram este panorama desalentador. Não há necessidade de cronômetros, nem de especialistas  para diagnosticar as falhas da educação.  Há necessidade de todos os que pensam que: "os professores é que são incapazes de atrair a atenção de alunos repletos de estímulos e inseridos na era digital" entrem numa sala de aula e observem a realidade brasileira.

Que alunos são esses "repletos de estímulos" que muitas vezes não têm o que comer em suas casas quanto mais inseridas na era digital?  Em que pais de famílias oriundas da pobreza  trabalham tanto que não têm como acompanhar os filhos  em suas atividades escolares, e pior em orientá-los para a vida?  Isso sem falar nas famílias impregnadas pelas drogas e destruídas pela ignorância e violência, causas essas que infelizmente são trazidas para dentro da maioria das escolas brasileiras.

Está na hora dos professores se rebelarem contra as acusações que lhes são impostas. Problemas da sociedade deverão ser resolvidos pela sociedade e não somente pela escola. Não gosto de comparar épocas, mas quando penso na minha infância, onde pai e mãe, tios e avós estavam presentes e onde era inadmissível faltar com o respeito aos mais velhos, quanto mais aos professores, e não cumprir as obrigações, fossem escolares ou simplesmente caseiras, faço comparações com os alunos de hoje "repletos de estímulos". Estímulos de quê?  De passar o dia na rua, não fazer as tarefas, ficar em frente ao computador, alguns até altas horas da noite (quando o têm), brincando no Orkut, ou, o que é ainda pior, envolvido nas drogas. Sem disciplina seguem perdidos na vida.

Realmente, nada está bom.  Porque o que essas crianças e jovens procuram é amor, atenção, orientação e disciplina. Rememorando, o que tínhamos nós, os mais velhos, há uns anos atrás de estímulos?
Simplesmente: responsabilidade, esperança, alegria. Esperança que se estudássemos teríamos uma profissão, seríamos realizados na vida. Hoje os jovens constatam que se venderem drogas vão ganhar mais. 

Para quê o estudo? Por que numa época com tantos estímulos não vemos olhos brilhantes nos jovens? Quem, dos mais velhos, não lembra a emoção de somente brincar com os amigos,  de ir aos piqueniques, subir em árvores? E, nas aulas, havia respeito, amor pela Pátria... Cantávamos o hino nacional diariamente, tínhamos aulas "chatas" só na lousa e sabíamos ler, escrever e fazer contas com fluência. Se não soubéssemos não iríamos para a 5ª. Série. Precisávamos passar pelo terrível, mas eficiente, exame de admissão. E tínhamos motivação para isso. Hoje, professores "incapazes" dão aulas na lousa, levam filmes, trabalham com tecnologia, trazem livros de literatura juvenil para leitura em sala-de-aula (o que às vezes resulta em uma revolução), levam alunos à biblioteca e a outros locais educativos (benza, Deus, só os mais corajosos!) e, algumas escolas públicas onde a renda dos pais comporta, até a "passeios interessantes", planejados minuciosamente, como ir ao Beto Carrero. 

E, mesmo, assim, a indisciplina está presente, nada está bom.
Além disso, esses mesmos professores "incapazes", elaboram atividades escolares como provas, planejamentos, correções nos fins de semana, tudo sem remuneração; todos os profissionais têm direito a um intervalo que não é cronometrado quando estão cansados. Professores têm 10 minutos de intervalo, quando têm de escolher entre ir ao banheiro ou tomar às pressas o cafezinho. Todos os profissionais têm direito ao vale alimentação, professor tem que se sujeitar a um lanchinho, pago do próprio bolso, mesmo que trabalhe 40h semanais.
E a saúde? É a única profissão que conheço que embora apresente atestado médico tem que repor as aulas. Plano de saúde? Muito precário.

Há de se pensar, então, que  são bem remunerados... Mera ilusão! Por isso, cada vez vemos menos profissionais nessa área, só permanecem os que realmente gostam de ensinar, os que estão aposentando-se e estão perplexos com as mudanças havidas no ensino nos últimos tempos e os que aguardam uma chance de "cair fora".Todos devem ter vocação para Madre Teresa de Calcutá, porque por mais que se esforcem em ministrar boas aulas, ainda ouvem alunos chamá-los de "vaca","puta", "gordos", "velhos" entre outras coisas.
Como isso é motivante... E temos ainda que ter forças para motivar. Mas, ainda não é tão grave.
Temos notícias, dia-a-dia,  até de agressões a professores por alunos. Futuramente, esses mesmos alunos, talvez agridam seus pais e familiares. Lembro-me de um artigo lido, na revista Veja, de Cláudio de Moura Castro, que dizia que um país sucumbe quando o grau de incivilidade de seus cidadãos ultrapassa certo limite. E acho que esse grau já ultrapassou. Chega de passar alunos que não merecem. Assim, nunca vão saber porque devem estudar e comportar-se na sala de aula; se passam sem estudar mesmo, diante de tantas chances, e com indisciplina... E isso é um crime! Vão passando série após série, e não sabem escrever nem fazer contas simples. Depois a sociedade os exclui, porque não passa a mão na cabeça. Ela é cruel e eles já são adultos. 

Por que os alunos do Japão estudam? Por que há cronômetros? Os professores são mais capacitados? Talvez, mas o mais importante é porque há disciplina. E é isso que precisamos e não de cronômetros. Lembrando: o professor estadual só percorre sua íngreme carreira mediante cursos, capacitações que são realizadas, preferencialmente aos sábados. Portanto, a grande maioria dos professores está constantemente estudando e aprimorando-se. Em vez de cronômetros, precisamos de carteiras escolares, livros, materiais, quadras-esportivas cobertas (um luxo para a grande maioria de nossas escolas), e de lousas, sim, em melhores condições e em maior quantidade...

Existem muitos colégios nesse Brasil afora que nem cadeiras possuem para os alunos se sentarem. E é essa a nossa realidade!  E, precisamos, também, urgentemente de educação para que tudo que for fornecido ao aluno não seja destruído por ele mesmo.

Em plena era digital, os professores ainda são obrigados a preencher os tais livros de chamada, à mão: sem erros, nem borrões  (ô, coisa arcaica!), e ainda assim se ouve falar em cronômetros. Francamente!
Passou da hora de todos abrirem os olhos  e fazerem algo para evitar uma calamidade no País, futuramente. Os professores não são culpados de uma sociedade incivilizada e de banditismo, e finalmente, se os professores  até agora  não responderam a todas as acusações de serem despreparados e  "incapazes" de prender a atenção do aluno com aulas motivadoras é porque não tiveram TEMPO.
Responder a essa reportagem custou-me metade do meu domingo, e duas turmas sem as provas corrigidas.

Vamos fazer uma corrente via internet, repasse a todos os seus! Grata.


Vamos começar uma corrente nacional que pelo menos dê aos professores respaldo legal quando um aluno o xinga, o agride... Chega de ECA que não resolve nada, chega de Conselho Tutelar que só vai a favor da criança e adolescente (capazes às vezes de matar, roubar e coisas piores), chega de salário baixo, todas as profissões e pessoas passam por professores, deve ser a carreira mais bem paga do país, afinal os deputados que ganham 67% de aumento tiveram professores, até mesmo os "alfabetizados funcionais".

Pelo amor de Deus somos uma classe com força! Somos politizados, somos cultos, não precisamos fechar escolas, fazer greves, vamos apresentar um projeto de Lei que nos ampare e valorize a profissão.

Vanessa Storrer - professora da rede Municipal de Curitiba!

Mesmo quem  não atua como docente, um dia passou por uma escola e tornou-se o que você é hoje! COLABORE E COMPARTILHE COM SEUS AMIGOS (AS).

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Lei de Responsabilidade Fiscal: o cais das desculpas e negativas das gestões públicas

Estava eu assistindo a um telejornal local ontem (02/05/2012) que falava sobre a greve dos educadores e educadoras do município do Natal. Na matéria, a repórter afirmava que não existira conciliação entre prefeitura e sindicato, visto que o secretário de educação afirmara categoricamente que não havia como dar aumento salarial à classe docente em virtude da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). O mesmo argumento é usado pelo governo estadual para profissionais da saúde e agentes carcerários, só como exemplo. Essas justificativas pipocam hoje em dia nas bocas gestoras do poder público como argumento (ou desculpa) para não proporcionar melhores condições de trabalho e renda para muitas classes de servidores públicos. Claro, obviamente, que quando o aumento é para cargos de livre nomeação e políticos não se ressoam esses mesmos argumentos. Por exemplo, os detentores de mandatos legislativos aumentam seus subsídios quando bem entendem. Os magistrados, com sua grande influência e poder, também conseguem vultosos agrados em seus contracheques (merecidos, por sinal – todo honesto magistrado deve ganhar muito bem por ter uma função social de grande importância e responsabilidade – Mas só os honestos, tá?) e não se houve falar em limite de LRF. Alguém sabe quanto ganha um servidor do legislativo ou do Judiciário? Compare com os servidores do executivo. Compare com os salários dos professores estaduais e municipais! Bem, não vamos comparar nobres com plebeus, então.



Depois que a Lei Complementar 101 de 2000 foi aprovada tudo se justifica nela. A Lei em si é complexa, mal redigida, deixa margem pra um monte de interpretação e causa certa confusão, principalmente em leigos em ‘Direito’, como eu. Mas, no geral, a Lei foi pensada para por freios a péssimos gestores que desequilibravam todas as contas públicas e deixavam rombos financeiros em prefeitura e estados (principalmente) para os seus sucessores. Vamos imaginar aqui que, depois de promulgada a referida Lei, ingerências nas contas públicas não mais acontecem no Brasil – vamos fazer um enorme esforço para acreditar. “A lei inova a contabilidade pública e a execução do Orçamento público à medida que introduz diversos limites de gastos (procedimento conhecido como Gestão Administrativa), seja para as despesas do exercício (contingenciamento, limitação de empenhos), seja para o grau de endividamento”.
A LRF quase ensina como o (a) gestor (a) público pode ser um bom gestor ou gestora. Mas, para ser bem cumprida, tal dispositivo legal exige posturas das gestões municipais, estaduais e do governo federal, tais como: planejamento – aqui, supõe-se que seja aquilo que a gestão faz para que os impostos possam ser revertidos para o bem da população, como educação pública qualificada, segurança pública assegurada, lazer, estruturas adequadas das cidades (vide as vias públicas de Natal) e do campo, transporte público e saúde gratuita de modo descente e que atenda às demandas sociais -, equilíbrio nas contas públicas (óbvio), transparência (Relatórios, Prestações de contas). Ah, transparência! Palavrinha de difícil significado para os nossos políticos!
Em relação à transparência dos gastos públicos, a gestão atual da prefeitura do Natal é mestra em transparecer nebulosidades. A gestão verde sempre alega queda na arrecadação, mas não presta contas de quando arrecada tanto é que a justiça anda obrigando a digníssima gestora a prestar contas. “O juiz Geraldo Antônio da Mota, da 5ª Vara da Fazenda Pública de Natal, determinou que a Prefeitura de Natal faça a imediata prestação de contas referentes a todo ano de 2011, devendo repassá-las ao Conselho Municipal de Saúde, no prazo máximo de 15 dias, contados da ciência da decisão judicial, sob pena de multa no valor de R$ 20 mil, que deverá recair sobre a secretária municipal de Saúde, Maria do Perpétuo Socorro”. (Tribuna do Norte, 25/04/2012). Por que não obedecem à LRF e fazem o dever de casa nesse ponto também? Já li reportagem, tempos atrás, que em matéria de transparência na prestação de contas e publicização das mesmas para o cidadão natalense, a gestão pública deste município deixa muito a desejar. E o problema dos aluguéis e contratos feitos pelo município, gerando até ocupação do legislativo municipal, acaso mostrar tudo em seus mínimos detalhes para toda a população, não seria também cumprir a LRF? Qual o problema de um gestor honesto mostrar para a população detalhadamente como realiza os contratos da administração pública? O dinheiro é de todos, não é? Ou não? Mas, sei que vem de todos.
A prefeitura é bem generosa com certas instituições. Dispensa valores bem generosos. Para quem vive alegando que a arrecadação caiu, é estranha essa generosidade toda. “O perdão de dívidas fiscais dado pela Prefeitura de Natal a instituições de ensino superior através da Lei 6.131/10 é inconstitucional. O pleno do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte julgou ontem a ação direta de inconstitucionalidade do Ministério Público Estadual contra o quinto parágrafo do artigo quinto da lei, destituindo a anulação de 12 autos de infração que totalizam mais de R$ 72 milhões. Com o julgamento dos desembargadores, a Prefeitura de Natal está obrigada a cobrar dos devedores as multas aplicadas. O Município ainda não sabe se irá recorrer da decisão”. (Tribuna do Norte, 03/05/2012). Recorrer? Pense no seu orçamento familiar: se sua família está passando por uma crise financeira, você perdoa a dívida que o seu vizinho rico tem com você? A prefeitura perdoa, então, não deveria chorar lágrimas de crocodilo alegando falta de dinheiro e jogar nas costas da coitada da LRF o fato de ser negligente com a educação e seus trabalhadores e trabalhadoras, alunos e alunas e pais, bem como a saúde: Leiam sobre o Valera Santiago, pra não falar mais dos postos de saúde que viraram posto de escárnio e abandono.
O não repasse do que é devido à educação como foi mostrado em jornais e que até MP provocou o judiciário por descumprimento de Termo de Ajustamento de Conduta, tão noticiado pouco tempo atrás, seria uma forma de a prefeitura descumprir a Lei Complementar 101, provocando desequilíbrios financeiros à Secretaria Municipal de Educação? A merenda que sempre chega atrasada nas escolas (quando chegam, no caso do estado, chega vencida, conforme algumas denúncias nos últimos dias, vide também matéria do Fantástico da Rede Globo em maio de 2011), a farda que não é dada aos alunos há tempos e mesmo assim alardeada, a falta de estrutura, como bebedouros e ventiladores nas escolas, o não repasse do PDE não são mostrados ao público. Admira-me saber que essa gestão tão preocupada com a LRF, não alardeia seus “descuidos” também. Transparência! Vamos utilizá-la bem.
A questão de não se querer dar um mísero aumento à classe docente do município do Natal, tal qual faz o governo estadual com muitas outras classes de trabalhadores e trabalhadoras, ao meu tosco raciocínio, é resultado muito mais de uma prática malévola e, de certo modo, oligarca, dentro de um conceito de que as classes populares devam ficar sob o julgo de gestores e gestoras da administração pública, oriundos (as) das classes dominantes para que o poder se mantenha intacto nas mãos dos mesmos sempre. Nossa jovem democracia ainda terá que aguentar ainda por muitos anos essas figuras dominantes, nascidas, amamentadas, crescidas e criadas graças à miséria e ao caos estrategicamente provocado e aumentado por aqueles que deveriam representar os interesses gerais do povo, mas que passam longe desse propósito na concretude de suas ações gerais. “Da lama ao caos, do caos à lama, um homem roubado nunca se engana” (Nação Zumbi).

Livro de poesia: Na bacia das almas

NA BACIA DAS ALMAS, O SEGUNDO LIVRO DE POESIA DE VERIDIANO MAIA DOS SANTOS, ABORDA POEMAS SOBRE A CIDADE, SUA CONCRETUDE E SEUS SIMBOLISMOS...