quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Poesia de Violeiros Nordestinos.

Cantoria de viola, manifestação muito forte no Nordeste brasileiro é uma das mais belas e impressionantes expressões culturais dessa região. Os repentes feitos de improviso são pérolas sonoras e verbalizadas que só quem já presenciou sabe como é. Abaixo, uma genial composição de Ivanildo Vila Nova e Geraldo Amancio (a primeira estrofe é iniciada por Geraldo, alternando-se as estrofes seguintes entre este e Ivanildo).
Geraldo Amancio
Vila Nova














Lampião, rei do cangaço!

Foi manso como um cordeiro
Teve o pai assassinado
Se sentido injustiçado
Se torna, então, justiceiro
O reilho de comboieiro
Troca pelo mosquetão
Esquece burro e surrão
Frete, tropa, corda e laço
Lampião, rei do cangaço
Foi assombro do sertão.

Conduzia o cangaceiro
Além de rifle e punhal
Carne seca no bornal
Farinha e sal pra tempero
Fumo e remédio caseiro
E patuá de proteção
Dez quilos de munição
Forravam seu espinhaço
Lampião, rei do cangaço
Foi assombro do sertão.

Antes de ser cangaceiro
Vivia da paz da choça
Foi trabalhador da roça
Tangeu burro, foi tropeiro,
Foi poeta e sanfoneiro
Tocou fole e violão
Fez martelo e fez quadrão
Do mesmo jeito que eu faço
Lampião, rei do cangaço
Foi assombro do sertão.

Não podia existir paz
No país dos cangaceiros
‘Homena’ contra ‘Calheiros’
Os ‘Ferraz’contra os ‘Novaes’
Os ‘Cabral’ contra os ‘Moraes’
Morte, vingança e questão
Montes, Feitosa e Mourão,
De todos herdou o traço
Lampião, rei do cangaço
Foi assombro do sertão.

Andava bem equipado
Por vereda e por floresta
Chapéu quebrado na testa
Botas de couro de gado
Bornal de balas de lado
Rifle e cruzeta na mão
Três palmos de dimensão
Tinha seu punhal de aço
Lampião, rei do cangaço
Foi assombro do sertão.

Quando um patrão desonrava
E à moça pobre ofendia
Quando lampião sabia
As providências tomava
Sendo solteiro casava
Casado ia pra o caixão,
Serviu de exemplo e lição
Pra fazendeiro devasso
Lampião, rei do cangaço
Foi assombro do sertão.

Foi herói, bandido e louco,
Foi um mestre sem estudo
Um gênio acima de tudo
Que teve o mal como troco
Se envultava em pé de touco
Na força da oração
Enfrentava um batalhão
Sem levar nenhum balaço
Lampião, rei do cangaço
Foi assombro do sertão.

Um primitivo ‘sandino’
Um estrategista bruto
Um Fidel Castro matuto
Um Roximbi nordestino
Adulto virou menino
Quando teve uma paixão
Aí o seu coração
Muda o ritmo e o compasso
Lampião, rei do cangaço
Foi assombro do sertão.

Desconfiado e valente
Lampião temia mais
Uma só sombra por trás
Do que cem homens na frente
Obedecia somente
Ao Padre Cícero Romão
O resto era no facão
Na lazarina e no braço
Lampião, rei do cangaço
Foi assombro do sertão.

No bando de Virgulino
Nomes que a gente destaca
Zé Sereno, Jararaca
Ezequiel e Livino
Volta Seca e Ponto Fino
Pilão Deitado e Balão
O sangue ensopando o chão
E balas cruzando o espaço
Lampião, rei do cangaço
Foi assombro do sertão.

Tendo Angicos como coito
A sua tropa reúne
Se sente da morte imune
E ali fica mais afoito
Em julho de trinta e oito
Tombou sem vida no chão
Na corda da traição
Findou caindo no laço
Lampião, rei do cangaço
Foi assombro do sertão.

Maria, amante e consorte,
Nordestina destemida
Foi companheira na vida
Na desventura e na morte
Sente um choque muito forte
Ao vê-lo morto no chão
Cai sobre o seu coração
Dando o derradeiro abraço
Lampião, rei do cangaço
Foi assombro do sertão.

***

Nesta, os repentistas fazem uma ode genial aos cordelistas e aos cordéis conhecidos no nordeste brasileiro. A composição é uma sextilha que quebra sempre nos versos ímpares, tornando a composição nove por seis (Aqui quem inicia com a primeira estrofe é Vila Nova, alternando-se com G. Amancio).



NOVE PALAVRAS POR SEIS: CORDELISTAS E CORDÉIS 
IVANILDO VILA-NOVA E GERALDO AMANCIO



Lu de Jorge, Carolina,

[ou Josina]

E o herói João de Calais

Um Agenor e Helena
[Madalena]
Oliveira e Ferra Braz
José de Souza Leão
[o Lampião]
E As Queixas de Satanás.

José Camelo, um dos nomes,
[Leandro Gomes]
Manoel Camilo e Palmeira
Manoel de Almeida e Zé Lima
[boa rima]
É a de Cícero Vieira
João Martins, Chico Firmino,
[Minelvino]
E Severino de Oliveira.

A Deusa do Maranhão
[a discussão]
De Rio Preto e Vicente
Cecília e Natanael
[Daniel]
Debate de Padre Crente
Pecado de Adão e Eva
[Genoveva]
E O Sertanejo Valente.

Um Lucas Evangelista
[Paulo Batista]
Zé Pacheco, Zé Visgueiro!
Manoel Apolinário
[Olegário]
Fernando, bom folheteiro.
Chico Sales, Téo Macedo,
[Téo Azevedo]
E Pedro Mendes Ribeiro.

Invasão da Carestia
[Zé Garcia]
E As Belezas de Campina...
Virgem dos Lábios de Mel
[tem Mabel]
E A Vingança de Marina
O Amor no ABC
[São Saruê]
E Genário com Jovelina.

Tem Vicente Vitorino
[Carolino]
Manoel Caboclo e Palmeira
Além de João Severo
[lembra Homero]
João Melquíades diz Ferreira
O Teodoro Ferraz
[ainda mais]
João Freire e Paulo Teixeira.

Carrancas do Piauí
[e Bem-te-vi]
Vida de Zé Colatino
O Macaco da Montanha
[João Saldanha]
E As Bravuras de Silvino
O Cego e o Aleijado
[Jorge Amado]
E meu Jesus é Nordestino.

Nas Portas do Cabaré
[Josué]
José Gustavo e Roxinha
Grinaura, Sebastião
[Frei Damião]
Mais Pedrinho e Julinha,
Previsões do Fim do Mundo
[vira mundo]
Com Zezinho e Mariquinha.

Dedé, Patrícia e Antônio,
[Apolônio...]
...Alves que tem boa pena!
Um Expedito Francisco
[já tem disco]
Costa Leite e Santa Helena
Caetano, Cosme e Diniz,
[Manoel Luiz]
E Joaquim Batista de Sena.

Sofrimento de Jesus
[João da Cruz]
O Sabido Sem Estudo
O Pavão Misterioso
[João Mimoso]
Zé Lapada e Topa Tudo
Temos João Grilo e Cancão
[Corrupião]
Os Monstros do Morro Agudo.

Chagas e Abraão Batista
[romancista]
É Altino Alagoano
Antônio Américo Medeiros
[dos primeiros]
Tem Dila e Valeriano
Cuíca, Enéias Tavares,
[J. Soares]
E Antônio Paraibano.

Jurandir e Nobelino,
[Zé Faustino]
S. Borges, cordel fez!
Um Antônio Canhotinho
[Zé Sobrinho]
Severino Milanês
‘Telarme’ e Rodolfo Coelho
[um espelho]
Em nove palavras por seis.




Deus, o homem e a natureza – Vila Nova e Geraldo Amâncio (Bela Sextilha)!

Quando canto vejo a meiga
Claridade do luar
Vendo a flor colhendo o beijo
Dos lábios frios do ar
E a praia enfeitando os fios
Do lençol verde do mar

Sinto a aurora brotar
Num formato de miragem
Em cada curva da estrada
Há um leque de paisagem
Abanando as tranças verdes
Dos cabelos da folhagem

Dançando eu crio a imagem
Do filme que Deus coloca
Onde o sol por generoso
Cria, aquece, guia e foca
É quem dá tudo de si
E nada recebe em troca

Quando maio se coloca
É mais bonito o sertão
A floresta se ornamenta
De rosa, flor e botão,
E as flores brancas à noite
Parecem estrelas no chão

O sopro da viração
Deixa a impressão de perfume
Os últimos raios da tarde
Pincelam cristas do cume
Entregam o crepúsculo negro
Aos faróis dos vagalumes

Há espirais de perfume
Nas ‘mãos caldas’ do mormaço
As nuvens do firmamento
Se desmanchando em pedaço
Parece um leque de bruma
Na concha azul do espaço

Terra que assiste o cansaço
Do passo do retirante
Quando as rajadas cruéis
De uma seca horripilante
Tange a poeira dos rastros
Do camponês emigrante

Pingo de orvalho brilhante
Na floresta da ‘masquina’
O pirilampo, um arcanjo,
Da lanterna pequenina
A água, cristal eterno,
Na galeria divina

Seguir de Deus a doutrina
É dever da criatura
Semeia grãos de virtude
E aguarda a safra segura
Plantando a semente boa
E colhe a espiga madura

Respeita as leis da altura
Na dor do esquecimento
Viajo o barco dos anos
Com o seu carregamento
Pérolas que são extraídas
Nas minas do sentimento

E a voz do pensamento
Transforma o sonho em cadência
Cantando o lírio dos campos
Os frutos da pudecência
Na substância abstrata
Dos sonhos da inocência

Onde não foi a ciência
Onde ficou a bonança
A viola é o piano
Que toco desde criança
Sonorizando saudades
Nos teclados da lembrança

Nos planos que a rima alcança
Tendo a vida por irmã
De noite ilusão perdida
De dia esperança vã
Castelos de pedra hoje
Sonhos de areia amanhã

Na neve da cor de lã
De minha ilusão de infante
Há um castelo de estrelas
Nas barras do meu levante
Que não brilharam até hoje
Brilharão daqui por diante

Vou voando a todo instante
Para alcançar outro império
As formas de um mundo novo
As luzes de outro hemisfério
Rompendo a malha invisível
Desse profundo mistério
Por ter notas de saltério
O improviso é um santo
Na vida corta as fronteiras
Em sonho cresce outro tanto
Se transporta sem andar
E voa sem sair do canto

Como um rugido de espanto
Do tiro da belonave
O fogo afastando a nuvem
O eco espantando a ave
Rompendo o sossego aéreo
Do infinito suave

Deus a ninguém deu a chave
Desse edifício perfeito
Mar gigante, terra enorme,
Céu infindo, bosque estreito,
Fez tudo e não veio ainda
Dizer porque tinha feito

Do rio, estuário e leito,
Da fruta, o tempo e a vez,
Ano longo, dia curto,
Semana, estação e mês;
Ele fez tudo, mas pode...
Desfazer tudo que fez

Manda um tudo, rei dos reis,
No raio que do céu desce
Tempestade que desaba
Terremoto que estremece
Em tudo está sua mão
E o homem não reconhece.
 


***
Ouçam cantoria de viola do repentistas nordestinos. Vão a cantorias. Prestigiem esse patrimônio da cultura imaterial do Brasil. Vale a pena ouvir repentistas do naipe de Ivanildo Vila Nova, Geraldo Amancio, Raimundo Caetano, Severino Feitosa, Antônio Lisboa, Edmilson Ferreira, dentre tantos outros.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

A didática e o marketing político?



O marketing da política deveria estar na escola dando aula.


No lugar dos professores estarem em salas de aula tentando freneticamente e sem sucesso chamarem a atenção de estudantes para a importância do conhecimento formal, que mais observam as telas de seus celulares com internet custando R$0,50 ao dia, deveriam estar lá os ‘marketeiros’ das velhas raposas velhas da nossa política ‘brazuquiana’. O corpo docente do ensino público, que tanto precisou estudar para assumir uma profissão que tem no Brasil o mesmo valor nutricional que tem um bom caldo de cuscuz ou de batatas, poderia dar a vez aqueles mestres da pedagogia propagandista do convencimento politiqueiro. No mínimo, deveríamos adotar suas metodologias para convencimento em massa (mesmo que precisássemos inventar só um pouquinho).
Claro que não temos nas salas de aula das escolas públicas os mesmos equipamentos midiáticos e ensaísticos da maravilha contemporânea do CorelDRAW, do Fotoshop ou dos efeitos de computador de última geração e câmera digital. Mas o que esses profissionais da propaganda política conseguem fazer é algo que beira a um “milagre”. Obviamente (desconfio) que eles recebem muitos recursos dos políticos e adjacências empresariais para produzirem bons resultados e ótimos convencimentos doutrinadores que reverberarão na massa. Fato que não ocorre com tanta veemência e empolgação para a educação. Mas, é impressionante como nos programas políticos daqueles que têm o poder e o cascaio, certos candidatos conseguem aprender com os senhores do marketing político como atuar bem para esclarecer seus planos “estratégicos” de gestão governamental.
Os caras aprendem tão bem como falar, o que dizer e de que forma pode chamar a atenção (enganar?) o eleitor com promessas que, também desconfio, não serão cumpridas, que chego a ficar emocionado! P.S.: o fato de eu desconfiar de que as promessas de alguns políticos candidatos serão esquecidas no futuro – pós-posse, é o resultado de uma longa e minuciosa pesquisa científica que fiz a partir do histórico político deles e da própria prática política brasileirinha (que sinto na pele e no bolso) e a partir da realidade social do país, que atropela nossa vergonha diariamente, nos últimos 500 anos.
O problema didático do marketing político ainda reside na questão do ‘ao vivo’: sem cortes, sem ensaios, sem efeitos especiais. Falo dos debates. O exemplo é o debate realizado pela UFRN nesta semana. No bloco pergunta dos especialistas, foi um banho de respostas evasivas, saídas pela tangente, deslizes na maionese, etc, etc. Teve candidato que se fosse sincero teria dito ao vivo: - “porra, troca essa merda de pergunta aí, que não entendi patacas do que foi perguntado. Estão de sacanagem comigo?”. Não que nos outros blocos não tenha acontecido o mesmo e, claro, tivemos ainda o showzinho de alguns candidatos com perguntinhas – uns aos outros - com segundas intenções e troca de acusações. Aqueles mesmo que já foram aliados, desalinhados, amigos, naquele eterno puxa e encolhe do jogo politiqueiro que suspeitamos existir nos partidos e nos políticos do Brasil em sua grande maioria.
Mas, o fato mesmo é que, se algumas dessas proezas ambulantes que querem ser eleitas conseguem convencer o povo por meio dos poderosos apelos midiáticos produzidos pelos profissionais do marketing político em programas bem desenhados, nossos alunos também seriam atraídos por eles em salas de aula. Ora, se o povo se sente atraído por estórias eloquentes que prometem o paraíso aqui em Natal nos próximos 04 anos, com discursos bem ensaiados no horário nobre da TV, porque os marketeiros também não conseguiriam tal façanha em sala de aula usando as mesmas técnicas “didáticas”? É preciso que, no mínimo, os docentes tenham cursos formativos com eles.
Cada vez mais me convenço que a educação produzida por nossos gestores políticos historicamente no Brasil e em Natal, especialmente, só serve para “deseducar e alienar”. Cada vez mais vejo o poder de chamar atenção que os profissionais do marketing político conseguem ter para seus clientes candidatos, “conscientizar e emancipar” o pacato cidadão. Os propósitos obscuros disso são outros quinhentos! Deveríamos ser substituídos por marketeiros políticos em sala de aula no lugar do professor. Ao menos, teríamos novos políticos no futuro – mesmo que fossem crias adestradas nas velhas e evasivas propostas da nossa ignóbil democracia republicana. É isso!


quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Categorias e Eleições: precisamos de representantes de verdade.


Categorias e Eleições: precisamos de representantes de verdade.

O pau que mais tem nos dias de hoje são os trabalhadores “organizados” em categorias: de professores, de profissionais da saúde, de servidores públicos, etc, etc. Cada uma dessas categorias têm seus próprios sindicatos que, em alguns casos, são meio controvertidos. Por exemplo, o sindicato dos professores das redes públicas do estado do RN e, consequentemente, do município do Natal, vez enquando deixa os professores mais ressabiados em dúvida quanto às suas reais ações em prol dos docentes que “representa”.

O grande problema dos dirigentes dos sindicatos, a meu ver, é que depois que eles chegam lá (no posto diretivo), faz como a maioria dos políticos que criticam: não querem mais largar o osso de jeito algum. É uma mosquinha danada essa da política, quando pica o sujeito, acabou-se! Às vezes, ou todas as vezes, o companheiro ou a companheira esquece sua própria profissão e passar a defender seus interesses políticos: sejam em sindicatos ou em representações proporcionais e/ou majoritárias da nossa bem vista política tupiniquim. Qualquer semelhança é mera coincidência.

Geralmente, as categorias esperam muito pelas orientações sindicais ou da bonança de um político abnegado para falar por elas. A grande maioria não percebe que têm certas coisas que não precisa de político ou sindicato algum para que façam a coisa acontecer e se fazerem representados de verdade. Um exemplo é na hora do voto (como qualquer eleitor). Eu me pergunto: porque uma categoria como a de docentes do município do Natal não tem um representante de verdade da câmara municipal? Precisa alguém dizer que seria necessário? Ou alguma vez os professores do ensino público desta capital se sentiram representados e ouvidos realmente? Porque não elegem seu representante concreto, com responsabilidades bem definidas? Estamos falando de trabalhadores da educação que são supostamente formadores de pessoas e de opiniões (ou deveriam ser).

Utilizando-se da categoria dos docentes da cidade do Natal como exemplo, esta cidade deve ter na ativa, hoje em dia, mais de 3,5 mil professores, sem contar com os tantos outros que estão aposentados, mas que se ressentem da mesma representação. Se você contar com esposos e esposas, filhos e filhas e agregados, esse número cresce consideravelmente. Sugestão, temos Amanda Gurgel: professora, lutadora e candidata.

Certamente nesse contingente teríamos, no mínimo, uns 05 mil eleitores. Esse número é capital eleitoral inicial significativo para que pudéssemos fazer nosso representante na vereança natalense. Então, porque não o fazemos? Porque nos dividimos tanto e acabamos sem ninguém para falar verdadeiramente por nós? Por que outras categorias não o fazem com seus números não menos significativos? E se os sindicatos irradiassem a ideia, interiorizando-a? Mas, claro, sindicatos têm seus interesses políticos que muitas vezes não passa dos interesses das suas respectivas direções. São raras exceções. E é claro também que o ser humano, professor ou não, é um ser complexo com interesses distintos e tem enorme dificuldade de partilhar e compartilhar de um mesmo pensamento comum em prol de todos. Freud explica!

Acho que a categoria professoral, como essencialmente formadora de opinião, poderia dar início e exemplo para outras co-irmãs. Agora, imagina terem-se câmaras legislativas municipais com vereadores e vereadoras eleitos e eleitas por suas respectivas classes de trabalhadores e trabalhadoras (isso em todos os municípios): de docentes, da saúde, da segurança, dos demais servidores! Acho que seria bem diferente a coisa na política! Obviamente esses pretensos eleitos iriam defender os trabalhadores e se se debandassem para o lado obtuso da coisa, elegeríamos outros e assim até acertarmos. Será que se faria política de forma diferente?

Esse exemplo sonhador e ingênuo (de se alcançar tal feito na nossa maturidade eleitoral) poderia se estender a outros grupos, como a classe artístico-cultural (Rodrigo Bico é candidato e é um ótimo postulante ao cargo) que tanto luta por suas expressões e ações, e que pouco tem respeito de forma séria da parte dos políticos profissionais, com políticas de estado nessas áreas que contemple a diversidade de manifestações artístico-culturais existentes na nossa cidade, no nosso estado.

Enfim, as coisas poderiam se tornar mais amenas para os trabalhadores em nossas lutas diárias. Bastaríamos desenvolver uma consciência de voto e de organização em torno de um representante político nosso, de verdade. Não haveria necessidade de grandes empreendimentos financeiros; somente uma maturidade comum eleitoral e de classe.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

NOSSOS CANDIDATOS NOVOS e SEUS ALIADOS!


 Nossa Doce Cocada!

Carlos Eduardo, político de longas datas, ex-prefeito de Natal, oriundo político da família “Alves”, mas que se “desfamiliarizou” politicamente de seus primos poderosos. Sua gestão como prefeito não foi um primor para a educação (é só perguntar aos professores do município – sempre desvalorizados); na saúde também não foi essa coca-cola toda (vide caso dos famosos remédios que apodreceram, não vingaram, não foram aproveitados tal qual se pede a boa administração pública – sei lá!).
A dona Wilma de Faria que já fora Maia, é candidata à vice na chapa do Carlos Eduardo. Também ex-prefeita, ex-governadora, ex-muita coisa. Começou na política introduzida nessa doce fábrica de sonhos e de poder pelo ex-marido “Lavô” e durante muito tempo esteve sob a tutela política de Agripino Maia. Este, que é engenheiro de formação, mas profissional da política por continuação e que nunca larga o osso. Wilma se separou politicamente dos “Maias”, garimpou outros partidos, se autoproclamou ‘guerreira’ e em determinados momentos ou em todos transitou por várias correntes filosóficas “politiquentas” aliando-se a várias figuras diferentes dentre elas, a galera do PT e a do PMDB.
Entre Carlos Eduardo, Wilma, Agripino, etc, etc, existe a competente gestão verde vergonhosa atual da senhora Micarla (cria política desses aí e muitos outros), que aproximou o chão viário de Natal das crateras lunares; que improvisou na educação um caos antipedagógico; que contribuiu para o ‘pioramento’ da saúde... Ah! Esquece!!!


O PT do Mineiro, por sinal, que voltou a querer ser puro sangue neste pleito também transita no RN (e no resto do Brasil) por mares dantes nunca navegados (e agora, de vez enquando ou sempre navegados), levantando suspeitas sobre se ainda existe ideologia político-partidária, se o sonho ainda não morreu ou se foi enterrado vivo alguns tempos atrás.
Na outra ponta desse iceberg esquizofrênico da política potiguar ainda existem o Rogério e o Hermano que são crianças gestadas nas bases políticas do PSDB, PSB, PMDB e outros “Ps”. O Sr. Rogério sempre esteve bem pertinho da d. Wilma, mas um belo dia, após uma aliança doida e esquisitinha do pleito passado, ele ficou chateadinho com sua fomentadora partidária e resolveu pegar o beco, se insuflando em outras direções. O Hermano também já deu suas transitadas ziguezagueantes na política e agora se apresenta como o “novo” para Natal.
Da esquerda ainda existe a candidatura do PCB (com Roberto Lopes) e do PSOL, com o professor universitário Robério Paulino (que tem um discurso interessante e se mostra independente). Estes últimos dois candidatos não têm o peso midiático e econômico, não conseguindo chegar com força a todos os eleitores. Na realidade vivemos numa democracia que mostra sua antidemocracia nos pleitos eleitorais: a justiça e a igualdade de condições econômicas passam longe das eleições no Brasil.

Enfim, como podemos ver, de novo mesmo existe pouca opção. O que na verdade existe é gente que sempre esteve no poder, de uma forma ou de outra, que são responsáveis diretos pela bagunça administrativa e gerencial da cidade do Natal (cada um com seu pecado pra carregar e não adianta tentar escondê-lo). Agora, seria muito honesto da parte de muitos dos postulantes a ocuparem o palácio Felipe Camarão admitirem suas respectivas parcelas nesse balaio de gatos caótico que se tornou Natal e pararem de se acharem a “novidade no sabor da gostosa cocada” porque eles passam bem distantes disso.

Dá para entender o ‘vai e vem’ todo desses políticos autointitulados de salvadores da capital potiguar? Dá para aceitar esse imbróglio politiqueiro que muda de configuração hermética a cada quatro anos ou menos? Dá para engolir a salvação anunciada? Dá para colocar muita gente aí no mesmo liquidificador? Respondam-me, pois já não entendo mais nada!

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Duas propostas ótimas para Natal!


Campanha nas ruas: entre circo e proposições.

Prezados e prezadas. A campanha eleitoral já está a todo vapor e começamos a nos “acostumar” com os postulantes a serem nossos representantes na vereança municipal de Natal. Tem pra tudo que é gosto e estilo. É tanta gente de tanto partido falando isso e aquilo e aquilo mais que me sinto num tiroteio de verborragias e falatórios que me deixam desarticulado das ideias, vez enquando.

Dentre as tantas opções não faltam os que detém poder e dinheiro e botam o seu circo nas ruas com carros de som, passeatas com filas e filas de carros de correligionários ideológicos (ou alugados por qualquer preço para fazerem número – imagino!) e os que usam a miséria e a pobreza daqueles que nunca têm direito a nada, desgraçadamente, para servirem de bonecos humanos nas avenidas da cidade segurando bandeiras de candidatos duvidosos.

É o circo do dinheiro que a politicagem traz.  Como é angustiante ver pessoas ao meio dia, com o sol na moleira, segurando bandeira com número e foto de gente que nunca foi vista entre eles, exceto, claro, obviamente, em tempo de eleição por um punhado minúsculo de dinheiro. Ô, prática nojenta essa desses políticos! O circo continua no entrecruzamento de carros de som e sons de músicas medonhas nos nossos ouvidos sobre esse ou aquele, fulana ou beltrana com frases poéticas, como: “Biltrinho, é nesse que vou votar!” ou “Hiprocritazinha, nessa confio demais”!

A gente não vê muito debate ideológico ou de propostas reais de nossos candidatos. Os ditos vazios sobre educação, saúde e segurança, sem dizer como, já me dão náuseas. Juro! Desconfio que a maioria dos postulantes à vereança natalense pouco têm conhecimento de causa concreta acerca das atribuições reais de um membro do legislativo municipal. 

Mas, existem ainda e, graças aos céus, candidatos e candidatas ao nosso legislativo que valem a pena a gente observar com maior detalhe e atenção. São os casos de Rodrigo Bico (PT) e Amanda Gurgel (PSTU), por exemplo.

Rodrigo Bico é um militante ferrenho em defesa da cultura popular, do fortalecimento cultural da cidade e dos artistas que sempre são relegados pelos poderes públicos na maioria das vezes. Como diz o movimento, “cultura não (é)vento”. E Bico, que faz parte dos pontos de cultura do RN, mantendo um no conjunto Pirangi há tempos a duras penas, sabe bem disso e luta pela causa cultural e artística da cidade.


Amanda Gurgel é uma criatura fantástica e verdadeiramente guerreira em defesa da educação pública e dos trabalhadores. Ela é outra ótima opção de voto. Nela, quem votar, saberá que estará votando em uma mulher forte, inteligente, determinada e honesta. Como professor, não imagino outra pessoa para a categoria docente das redes públicas de ensino votar que não seja “Amandita”. 

Também não vejo contrassenso falar aqui em dois candidatos. Acho que se estudantes da EJA do município, secundaristas e pais de filhos que estudam na rede pública de ensino em Natal – se querem ter alguma esperança em uma mínima melhora no nosso sistema educacional – vota em Amanda que ela pode ajudar. E acho que aqueles que militam pela praia da arte e da cultura podem confiar no Bico para representá-los bem na Câmara Legislativa de Natal. Acho até que, em os dois sendo eleitos (e isso é bem possível, basta querermos), eles podem fazer uma ótima tabelinha no legislativo em defesa da educação, da arte e da cultura de nossa cidade. São de partidos diferentes, mas ambos têm conteúdo – cada a seu modo. Ambos são distintos e são ótimas opções para quebrarmos com a sequência quase infindável da mesmice que aí está posta na vereança de Natal. E tenho dito!

Livro de poesia: Na bacia das almas

NA BACIA DAS ALMAS, O SEGUNDO LIVRO DE POESIA DE VERIDIANO MAIA DOS SANTOS, ABORDA POEMAS SOBRE A CIDADE, SUA CONCRETUDE E SEUS SIMBOLISMOS...