O
marketing da política deveria estar na escola dando aula.
No
lugar dos professores estarem em salas de aula tentando freneticamente e sem
sucesso chamarem a atenção de estudantes para a importância do conhecimento
formal, que mais observam as telas de seus celulares com internet custando
R$0,50 ao dia, deveriam estar lá os ‘marketeiros’ das velhas raposas velhas da
nossa política ‘brazuquiana’. O corpo docente do ensino público, que tanto
precisou estudar para assumir uma profissão que tem no Brasil o mesmo valor
nutricional que tem um bom caldo de cuscuz ou de batatas, poderia dar a vez
aqueles mestres da pedagogia propagandista do convencimento politiqueiro. No
mínimo, deveríamos adotar suas metodologias para convencimento em massa (mesmo
que precisássemos inventar só um pouquinho).
Claro
que não temos nas salas de aula das escolas públicas os mesmos equipamentos
midiáticos e ensaísticos da maravilha contemporânea do CorelDRAW, do Fotoshop ou
dos efeitos de computador de última geração e câmera digital. Mas o que esses
profissionais da propaganda política conseguem fazer é algo que beira a um “milagre”.
Obviamente (desconfio) que eles recebem muitos recursos dos políticos e
adjacências empresariais para produzirem bons resultados e ótimos convencimentos
doutrinadores que reverberarão na massa. Fato que não ocorre com tanta veemência
e empolgação para a educação. Mas, é impressionante como nos programas
políticos daqueles que têm o poder e o cascaio, certos candidatos conseguem
aprender com os senhores do marketing político como atuar bem para esclarecer
seus planos “estratégicos” de gestão governamental.
Os
caras aprendem tão bem como falar, o que dizer e de que forma pode chamar a
atenção (enganar?) o eleitor com promessas que, também desconfio, não serão
cumpridas, que chego a ficar emocionado! P.S.:
o fato de eu desconfiar de que as promessas de alguns políticos candidatos serão
esquecidas no futuro – pós-posse, é o resultado de uma longa e minuciosa
pesquisa científica que fiz a partir do histórico político deles e da própria prática
política brasileirinha (que sinto na pele e no bolso) e a partir da realidade
social do país, que atropela nossa vergonha diariamente, nos últimos 500 anos.
O
problema didático do marketing político ainda reside na questão do ‘ao vivo’:
sem cortes, sem ensaios, sem efeitos especiais. Falo dos debates. O exemplo é o
debate realizado pela UFRN nesta semana. No bloco pergunta dos especialistas, foi um banho de respostas evasivas,
saídas pela tangente, deslizes na maionese, etc, etc. Teve candidato que se
fosse sincero teria dito ao vivo: - “porra,
troca essa merda de pergunta aí, que não entendi patacas do que foi perguntado.
Estão de sacanagem comigo?”. Não que nos outros blocos não tenha acontecido
o mesmo e, claro, tivemos ainda o showzinho de alguns candidatos com
perguntinhas – uns aos outros - com segundas intenções e troca de acusações.
Aqueles mesmo que já foram aliados, desalinhados, amigos, naquele eterno puxa e
encolhe do jogo politiqueiro que suspeitamos existir nos partidos e nos
políticos do Brasil em sua grande maioria.
Mas,
o fato mesmo é que, se algumas dessas proezas ambulantes que querem ser eleitas
conseguem convencer o povo por meio dos poderosos apelos midiáticos produzidos
pelos profissionais do marketing político em programas bem desenhados, nossos
alunos também seriam atraídos por eles em salas de aula. Ora, se o povo se
sente atraído por estórias eloquentes que prometem o paraíso aqui em Natal nos
próximos 04 anos, com discursos bem ensaiados no horário nobre da TV, porque os
marketeiros também não conseguiriam tal façanha em sala de aula usando as
mesmas técnicas “didáticas”? É preciso que, no mínimo, os docentes tenham
cursos formativos com eles.
Cada
vez mais me convenço que a educação produzida por nossos gestores políticos
historicamente no Brasil e em Natal, especialmente, só serve para “deseducar e
alienar”. Cada vez mais vejo o poder de chamar atenção que os profissionais do
marketing político conseguem ter para seus clientes candidatos, “conscientizar
e emancipar” o pacato cidadão. Os propósitos obscuros disso são outros
quinhentos! Deveríamos ser substituídos por marketeiros políticos em sala de
aula no lugar do professor. Ao menos, teríamos novos políticos no futuro –
mesmo que fossem crias adestradas nas velhas e evasivas propostas da nossa ignóbil
democracia republicana. É isso!
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